logo Desmame: saiba o que é quais as orientações - lillo

Desmame: saiba o que é quais as orientações

Compartilhe nas redes:
Publicado em Amamentação, Cuidados com o Bebê, Dicas Lillo, Saúde do Bebê

Quando falamos em desmame, é importante destacar o respeito pelo tempo da mãe e do bebê.

A chegada de um bebê traz à tona diversos questionamentos na mulher com relação às mudanças do seu corpo, sobre o parto e a amamentação. Porém, outro fator muitas vezes esquecido é o momento do desmame, ou seja, a hora de parar de amamentar. 

Por mais que seja algo natural, muitas lactantes têm dúvidas sobre quando é a hora certa para o desmame, bem como em relação a fazê-lo sem traumatizar o pequeno.

Desmame: o que é

O desmame é o processo de interrupção da amamentação de bebês que se alimentam apenas do leite materno. De acordo com a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), o período natural de amamentação para a espécie humana seria de 2,5 a sete anos. 

Atualmente, a Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda aleitamento materno por dois anos ou mais, sendo exclusivo nos primeiros seis meses. Apesar dessa orientação, pouquíssimas mulheres no Brasil amamentam por mais de dois anos. 

As razões para isso variam desde a dificuldade em conciliar a amamentação com outras atividades, até a crença de que o prolongamento dessa ação pode deixar a criança muito dependente da mãe. Além disso, algumas mães, embora desejem continuar amamentando, sentem-se pressionadas a desmamar por parentes, amigos e até mesmo profissionais de saúde.

De fato, parte delas o faz para promover a independência da criança. No entanto, é importante lembrar que o desmame provavelmente não vai mudar a personalidade dos filhos. Isso sem contar que, ao forçar a barra, o efeito pode ser o contrário do planejado.

Mãe amamentando bebê

Como funciona o processo de desmame?

O desmame pode ser agrupado em quatro categorias básicas: abrupto; planejado ou gradual; parcial, e natural. 

O desmame pode ser gradual, ou seja, de forma leve e relativamente demorada. Mas às vezes pode ser súbito, como em uma nova gravidez da mãe. Neste caso, a criança pode estranhar o leite tanto pelo gosto, que se altera, quanto pelo volume, que diminui. 

Vale ressaltar que o momento do desmame não diz respeito somente ao bebê e a sua preparação para a interrupção da amamentação. A mãe também participa ativamente no processo, sugerindo passos quando a criança estiver pronta para aceitá-los e impondo limites adequados à idade.

Desmame natural

Sob a ótica de que o desmame faz parte do desenvolvimento da criança, é razoável afirmar que o ideal seria que ele ocorresse naturalmente, de acordo com as competências adquiridas. Nessa modalidade, a criança não precisa mais ser amamentado, o que pode ocorrer em diferentes idades – em média entre dois e quatro anos, e raramente antes de um ano. 

Além disso, é preciso levar em conta que este costuma ser um processo difícil para muitas mães, sujeitas a obstáculos físicos e psicológicos.

Devido ao grande alcance das redes sociais, muitas mães têm exposto a sua versão da amamentação, bem como o desmame, e, infelizmente, recebem críticas. É o caso da influenciadora digital Virginia Fonseca, que decidiu desmamar sua filha de quase um mês. Embora não tenha revelado o motivo para tal atitude, houve represália por parte dos internautas.

Ainda que o aleitamento materno seja primordial para a saúde do bebê, vale ressaltar que a amamentação, bem como o desmame, são escolhas, e não obrigações. A atriz Maíra Charken, por sua vez, gerou repercussão negativa nas redes sociais após afirmar que alimenta seu filho único há quatro anos. 

Adepta ao desmame natural, a atriz declarou em entrevista à Revista Quem que não pretende forçar o desmame. Isso porque, apesar das dificuldades, ela sente prazer em amamentar e reconhece os benefícios do leite materno. 

E como lidar com tantas críticas? Segundo a pediatra Luiza Helena de Arruda, em entrevista ao Notícias da TV do portal UOL, só existe um remédio para combater a pressão, a ignorância e as dificuldades enfrentadas pela mãe: o apoio da família.

O desmame é parte do processo para a futura ampliação do cardápio

Sinais de que a criança está pronta para o desmame

A idade acima de 1 ano é um fator considerado para o desmame, além do gradual desinteresse nas mamadas e a aceitação de outros alimentos. Uma relação segura com a mãe e o acolhimento de outras formas de consolo vindas de outros familiares também podem indicar que a criança está pronta para o desmame. 

Vamos a outros exemplos, como dormir antes de mamar, dando preferência a brincadeiras ou outras atividades com a mãe.

No entanto, apesar dos sinais serem claros, é importante que a mãe não confunda o autodesmame natural com a chamada “greve de amamentação” do bebê. 

Essa “greve” é “deflagrada”, geralmente, por crianças menores de 1 ano, que parecem insatisfeitas, tornando possível identificar uma causa. Doenças, dentição, diminuição do volume ou sabor do leite, estresse e excesso de mamadeira ou chupeta são algumas delas. A “greve” costuma durar entre dois e quatro dias.

A atriz Sthefany Brito expôs a sua versão da amamentação e o desmame natural em suas redes sociais. Ela relatou que sentia muita dificuldade para amamentar seu filho, mas insistia pois sabia dos benefícios. Contudo, aos sete meses do bebê, ela percebeu que o pequeno já não tinha mais interesse. 

Neste caso, o bebê deu sinais de que estava pronto para o desmame, como pegar e, logo em seguida, recusar mamar no peito. Por isso, fica claro que, embora a decisão do desmame parta da mãe, ela pode ocorrer naturalmente pela ação da criança.

Amamentação

Dicas para o desmame natural

Os seres humanos são os únicos mamíferos que não praticam o desmame de modo instintivo e/ou genético, mas, sim, influenciados pela cultura da sociedade. Considerando o desenvolvimento de uma criança, o desmame antes de dois ou três anos é algo precoce. Isso porque o bebê ainda está em processo de individualização e na fase oral, na qual a amamentação é muito benéfica.

Porém, se a mãe sentir a necessidade de desmamar antes ou depois do tempo recomendado, separamos algumas dicas para ajudá-la nesse processo gradual.

Conversa e carinho

Por mais que o bebê ainda não entenda, criar um vínculo pelo diálogo pode ser uma boa opção para as mães que desejam fazer o desmame. 

Além disso, criar vínculos por outros meios, como abraços, beijos, brincadeiras e passeios podem ajudar. Mas lembre-se de que é um processo lento e não deve ser, de maneira alguma, traumatizante. 

Interrupção parcial do aleitamento

Algumas mães preferem começar o desmame interrompendo o aleitamento materno durante o dia, mantendo-o apenas durante a noite, e vice-versa. Por mais que possa doer para as mães passar um tempo longe dos filhos, esse passo é importante para o ganho gradual de independência do bebê. Além disso, ele pode associar a ausência da mãe à falta da amamentação

Se a criança estiver em um lugar em que se sinta segura e tenha afinidade com as pessoas da casa, é provável que aceite a mudança. Esse momento longe da mãe pode ajudar no desmame natural. 

Por fim, da mesma maneira que o bebê aprendeu a sentar, engatinhar e falar, com o tempo, ele também vai desmamar. Faz parte do desenvolvimento natural da criança.

Percepção

Portanto, o papel dos pais, especialmente da mãe, é notar os sinais de que a criança está pronta para encerrar esse ciclo. Se depois de completar 1 ano, o bebê demonstrar menos interesse pelas mamadas, aceitar alimentos diversos e conseguir usar outros artifícios além do peito para se consolar, iniciar o desmame pela introdução do gradual do copinho é uma boa opção.

Além disso, se a criança mostra-se segura ao trocar a amamentação por outras atividades, como um livro ou uma brincadeira, por exemplo, já é possível oferecer o leite em copinhos – de preferência os de transição e sem bico. 

Para esse momento, o ideal é que toda a família participe do processo, dos pais aos avós, o que vai torná-lo ainda mais tranquilo e seguro para a criança.

Brincadeiras podem ajudar o desmame

O desmame e a introdução do copinho

A indicação dos órgãos especializados é oferecer leite no copo de transição. Ao contrário da mamadeira, esse tipo de copo não causaria prejuízos com a mastigação e a fala. 

Estudo publicado pelo Jornal de Pediatria da SBP comprovou que os bebês – até mesmo os prematuros – são capazes de usar o copinho. Segundo a pesquisa, os movimentos feitos pelos bebês ao sugar são muito mais parecidos com os que realizam ao beber no copinho do que quando usam a mamadeira. 

Além disso, os pais podem aprender a técnica correta para oferecer o copinho com o pediatra, consultores de amamentação e os profissionais de bancos de leite. Embora a mamadeira possa parecer mais prática, ela é capaz até de exigir um segundo processo de desmame. 

O processo é bastante trabalhoso, pois, geralmente, os bebês criam uma dependência emocional da mamadeira difícil de largar. 

Copos de transição Lillo são excelentes alternativas pós-desmame

A importância dos copos de transição

Muitas vezes é necessário que a criança experimente o copo de transição para só depois conseguir usar uma versão tradicional. No entanto, com calma e cautela, aos poucos a criança vai se acostumar e ficar pronta para usar o copo tradicional.

Outra dúvida que muitas mães têm durante o processo de desmame é sobre o que oferecer ao bebê ao invés do leite materno. Ressaltamos que o leite materno pode continuar sendo oferecido no copinho ou na mamadeira, mas existem outras alternativas. 

As fórmulas especiais em pó – semelhantes ao leite materno – são enriquecidas com vitaminas e de fácil digestão para o organismo infantil. O pediatra pode indicar qual é a ideal para o bebê. 

No entanto, lembre-se que um bebê com menos de 1 ano não pode ser alimentado com leite de vaca, pois este é mais difícil de digerir, sem contar o alto risco de causar alergias.

Por fim, lembre-se: é importante que a mãe e o bebê iniciem o processo de desmame quando for ideal para ambos. E ele precisa ocorrer gradualmente e de acordo com a vontade da mãe.