logo O que é episiotomia, quando ela é necessária e quais os riscos - lillo

O que é episiotomia, quando ela é necessária e quais os riscos

Compartilhe nas redes:
Publicado em A chegada do bebê, Dicas Lillo, Hora do parto

Saiba o que é episiotomia, procedimento que pode ser necessário quando um feto muito grande está demorando demais para nascer.

Também chamada de “pique”, a episiotomia consiste em um corte na região do períneo, com o objetivo de ampliar o canal de parto. Trata-se de um procedimento emergencial, pois, como toda interferência nessa região, envolve riscos.

Nesta matéria, vamos explicar a você o que é episiotomia, quais os seus riscos e quando ela deve ser realizada. Boa leitura!

Função e importância do períneo

Antes de tudo, importante explicarmos bem o que é o períneo, uma zona de grande importância para o corpo feminino, mas cujo significado pode não estar na ponta da língua de muita gente.

Pois bem, o períneo é uma região localizada entre o ânus e a vagina, e que dá sustentação aos órgãos pélvicos: bexiga; útero; reto; intestino, bem como toda a parte baixa do abdômen (pelve). Durante a gestação, o períneo é bastante exigido devido ao peso do bebê, sendo essencial também na hora do parto, caso este seja do tipo normal. Isso porque é através do períneo que o bebê deixa o ventre materno.

Essas breves informações por si só bastam para percebermos a importância do períneo e a necessidade de mantê-lo fortalecido. Para isso, a receita primordial é básica e previsível: cuidar da saúde de forma geral. Mulheres com obesidade, por exemplo, muito provavelmente terão a musculatura perineal enfraquecida.

Outras condições que colaboram para esse cenário são atividades físicas de intenso impacto e, como forma mais imponderável, prisão de ventre. Mas, perceber é uma coisa; a outra é saber o que fazer para manter a região bem cuidada.

Gestante prestes a dar à luz

O que é episiotomia

A episiotomia é um pequeno corte cirúrgico feito na região entre a vagina e o ânus, durante o parto, que permite alargar a abertura vaginal quando a cabeça do bebê está prestes a descer.

Embora esta técnica fosse utilizada em quase todos os partos normais para evitar o rompimento da pele que pode surgir naturalmente com o esforço do parto, atualmente ela é utilizada apenas quando necessária. Isso porque, além de muito dolorosa, pode trazer vários riscos, como incontinência urinária ou infecções.

Contexto histórico

Para saber melhor o que é episiotomia, é importante entender a história desse procedimento. Ela ganhou popularidade nas décadas de 1940 e 1950, à medida que as ações de parto migravam do ambiente doméstico para o meio hospitalar.

Com essa espécie de mecanização do parto, passou a ganhar força o argumento de que o corte cirúrgico na área perineal aceleraria a saída do bebê, otimizando, por consequência, o tempo na dinâmica desses procedimentos em massa.

Esse argumento foi tomado como verdade, sendo inclusive reproduzido em vários tratados de obstetrícia pelo mundo, mesmo sem evidências científicas sobre sua segurança e efetividade. 

Diante disso, a episiotomia tornava-se cada vez mais comum nos Estados Unidos ao longo dos anos 1940. Com o crescimento no número de partos hospitalares, o nascimento passou a ser considerado um processo mecânico e hospitalar, requerendo frequentes intervenções obstétricas.  

Vamos exercitar a reflexão. Antes, com a predominância dos partos domésticos, a dinâmica era essencialmente distinta, na qual respeitava-se muito mais o tempo, as necessidades e as vontades da gestante. Ela era, de fato, a protagonista do processo, cuja duração não estava atrelada a contingentes externos – por exemplo, outras pessoas na fila do parto. 

Dentre as características dos partos nos hospitais, emergiu uma novidade: a possibilidade de os médicos não só atenderem a uma grande demanda, como às vezes também auxiliá-las simultaneamente. Portanto, na iminência de dar à luz, a mulher já não tinha mais todo tempo e atenção voltados unicamente a si.

Para consolidar-se, a episiotomia exigia a adoção de condutas paralelas – o parto em posição horizontal talvez tenha sido a principal delas. Além disso, o uso do fórceps e a posição de talha litotômica, apesar dos seus inconvenientes, garantiam melhor acesso do obstetra ao canal de parto.

O que é episiotomia? Seu processo envolve alguns riscos

Números da episiotomia no Brasil

Podemos avaliar a atual situação pela lógica do “copo meio cheio” e “copo meio vazio”. Levantamento da plataforma digital BabyCenter Brasil mostrou que o número de episiotomias realizadas no País caiu entre 2012 e 2019, tanto na rede pública como na privada.  

De acordo com a pesquisa – que consultou 3.500 mulheres que se tornaram mães em 2018 – 33% dos partos normais envolveram a técnica. Na edição anterior (2012), esse número chegava a 71%. Portanto, e sobretudo pelo “copo meio cheio”, trata-se de uma boa notícia, pois essa queda é considerável.

Contudo, a ótica do “copo meio vazio” alerta que a episiotomia não deve ocorrer em mais do que 10% dos partos, segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS). No Brasil, o Ministério da Saúde, por sua vez, não aponta um índice exato, mas também recomenda que os piques sejam evitados na maioria dos casos.

Parte interligada a um todo

Analisar a episiotomia isoladamente, sem considerar um amplo contexto envolvendo uma série de fatores que interferem na condução dos partos, não parece trazer respostas concretas. 

Afinal, são várias as práticas que colocam em dúvida o cumprimento dos protocolos legais e recomendações das autoridades em saúde, bem como o respeito às gestantes.

Por exemplo, a OMS considera que a taxa de cesarianas deveria estar entre 10% a 15% dos partos. No Brasil, porém, o índice chega a 55%; e a 86% se levarmos em conta apenas o setor privado de saúde. Temos o segundo maior índice de cesárea no planeta.

Outro estudo, desta vez realizado em outubro de 2020 pela healthtech Theia, demonstrou a insatisfação de mulheres ao dar à luz, tanto durante o parto como após ele. De acordo com a pesquisa, 11% das entrevistadas relataram “não ter recebido o filho (a) no colo para amamentar, logo após o nascimento”. 

Já 8% delas alegaram “não terem deixado estar com meu bebê” no período – exceto as mães que tiveram bebês prematuros, cenário em que as duas situações realmente não são possíveis por questões de saúde. Por fim, 8% também foi o índice correspondente àquelas cujas dores, segundo seus relatos, foram desmerecidas durante o parto.

É necessário, portanto, rediscutir os aspectos de uma cultura dominante não só no mundo da obstetrícia, como em todo o universo da saúde no País.

Ilustração de episiotomia

Quando a episiotomia é necessária

Bem, agora que você já sabe o que é episiotomia, além de entender sua relação com outros elementos importantes da saúde da gestante, fica a pergunta: quando ela é necessária?

Vamos lá. Primeiramente, a episiotomia costuma ser decidida pela equipe médica durante o próprio parto, mas a mulher pode deixar claro que não aprova esse procedimento. Aliás, não só este como tantas outras observações podem ser feitas no plano de parto, documento assegurado por lei à gestante.

Quando realizada de forma abusiva ou desnecessária, a episiotomia é uma prática ilegal, embora, infelizmente, ela ainda aconteça sob esses moldes – por exemplo, no início do trabalho de parto para acelerar o nascimento.

Quando a episiotomia é necessária

Como cuidar do pós-episiotomia

A recuperação ideal depende de uma boa cicatrização; por isso, a mulher deve manter a região íntima sempre seca e limpa. Assim, é importante trocar o absorvente quando ele estiver sujo, bem como evitar o uso de calças ou calcinhas apertadas, que podem causar umidade.

Além disso, para facilitar a cicatrização e reduzir as dores provocadas pela episiotomia, uma alternativa é aplicar gelo na região. E, caso não seja suficiente, pode-se tomar remédios anfiinflamatórios, como Ibuprofeno ou Acetominofeno, prescritos pelo médico. 

Quanto tempo demora para cicatrizar

Isso varia de mulher para mulher, embora, via de regra, o tempo seja maior quanto maior for o tamanho e a profundidade da ferida. Mas para determinar um tempo médio, costuma demorar por volta de 6 semanas após o parto.

Ao longo da recuperação, a mulher pode retomar gradualmente suas atividades diárias, sem esforços exagerados e seguindo as orientações médicas. Quanto aos atos sexuais, é necessário esperar a cicatrização completa.

O que fazer para evitar a episiotomia?

Independentemente de estar grávida ou não, o períneo fortalecido deve ser um dos fatores levados em conta no cuidado com o corpo. Seja para manter a saúde íntima em dia, ou para, aí sim, preparar o terreno para o bebê nascer sob as melhores condições possíveis.

Separamos abaixo dois métodos para exercitar a região e, consequentemente, reduzir as chances de fazer episiotomia. Confira!

Massagem perineal

A massagem perineal é um procedimento feito na região íntima da mulher, cuja prática ajuda a alongar os músculos vaginais e o canal do parto, de modo a facilitar a saída do bebê, ou seja, aumentando também as chances para que a gestante escolha o tipo de parto que mais deseja. 

Esse exercício pode ser realizado em casa, de preferência sob orientação de um ginecologista ou obstetra. Além do alongamento dos tecidos, massagear o períneo contribui para aumentar a lubrificação do local, auxiliando a dilatação. 

Se analisarmos tudo o que envolve o processo de gravidez, a massagem perineal é capaz de assegurar benefícios físicos e emocionais da gestante e, consequentemente, do bebê que carrega.

Exercícios de Kegel

Criados pelo ginecologista Arnold Kegel na década de 1940, esses exercícios se notabilizam pela eficiência no combate à incontinência urinária. Também ajudam a fortalecer a musculatura pélvica, além de aumentar a circulação de sangue no local.

Para gerarem resultados positivos, precisam ser feitos diariamente, ao menos 3 vezes por dia. Você pode utilizar aquelas bolas grandes de ginástica como auxílio. Também é importante saber qual músculo deve ser ativado para que o fortalecimento da região do períneo ocorra de modo eficaz.

Já em relação à gravidez, os exercícios de Kegel são úteis para, além de controlar a urina, melhorar o contato íntimo, servindo de treino para o parto normal, que teriam suas dores diminuídas, bem como o tempo de trabalho de parto.

Exercícios de Kegel são importantes para evitar a episiotomia

Considerações finais

Viu como saber o que é episiotomia pode fazer você aprender tantos outros dados importantes?

Embora a episiotomia possa trazer benefícios, e em algumas situações ser a única maneira de garantir um nascimento adequado para o bebê, ela deve ser considerada apenas sob tais condições.

Portanto, converse com seu médico e com outras gestantes, mantenha-se informada sobre detalhes que compõem o universo da gravidez. Cuide do seu corpo e prepare-o de modo que o tão aguardado instante de dar à luz ocorra da melhor forma possível. 

Por fim, não deixe de escrever o seu plano de parto. Diga tudo o que você quer e o que você não quer. Lembre-se de que o momento é seu!