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Puerpério: entenda o que isso significa

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Publicado em Amamentação, Bebê, Cuidados com recém nascido, Dicas Lillo, Pós parto

O puerpério, caracterizado pelos 45 dias após o nascimento do bebê, pode ser desafiador e transformador para as mães.

Durante a gestação, um dos momentos mais esperados pelos pais é, sem dúvidas, o nascimento do bebê. Embora esse momento seja carregado de expectativas e felicidade, para as mães, o período de 45 a 60 dias após o parto, conhecido como Puerpério, pode ser desafiador. 

O que é o puerpério

É natural que muitas mães não saibam o que é o puerpério. Também conhecido como “resguardo” ou “quarentena”, o puerpério caracteriza-se pela readaptação do corpo da mulher. Aos poucos, ocorrem mudanças físicas e hormonais para que ele retorne para a forma anterior à gestação.

Alguns cuidados especiais no período pós-parto são necessários, pois ocorrem diversas mudanças na mulher,  em termos hormonais, físicos e psicológicos. 

Tais aspectos, infelizmente, contribuem para aumentar a insegurança da mãe em relação aos cuidados necessários para garantir a saúde dela e do bebê na primeira fase da maternidade. 

Além disso, é preciso atenção redobrada aos indícios de depressão pós-parto. Os fatores citados acima podem causar à mulher sentimentos de tristeza, apatia e desinteresse pelos acontecimentos cotidianos. Ela também pode ter dificuldade para amamentar o bebê. 

Fases do puerpério

Por ser um período relativamente longo de readaptação do corpo da mulher e à nova realidade das mães, o puerpério é dividido em algumas fases. 

Confira abaixo.

Puerpério imediato

O puerpério imediato caracteriza-se pelos 10 primeiros dias após o nascimento do bebê, independentemente do tipo de parto. As mudanças no corpo da mãe começam nessa fase a partir da expulsão da placenta. 

Além disso, é importante destacar que, imediatamente após o parto, a mãe perde, em média, de cinco a seis quilos. Porém, isso continua a ocorrer conforme ela amamenta o bebê. 

Nas primeiras horas, é importante que as mães se levantem e caminhem, pois isso ajuda a evitar a ocorrência de trombose, além de auxiliar no bom fluxo intestinal.  

Como o corpo não para de funcionar, já se iniciam as alterações hormonais assim que o bebê nasce, entre elas a produção de ocitocina, estimulada pela amamentação. 

A ocitocina é um hormônio conhecido popularmente como “hormônio do amor”, que auxilia na criação do vínculo entre mãe e filho.

Tratando-se de amamentação, é comum que durante cinco dias, em média, a mãe amamente o bebê não com leite íntegro, mas sim, com o colostro – líquido aparentemente mais ralo, mas não menos nutritivo. 

Rico em anticorpos, o colostro é fundamental para nutrir e fortalecer a imunidade do recém-nascido. Em seguida, após os cinco dias, o leite mais branco e gorduroso começa a descer, também fundamental para aumentar as defesas da criança.

Ainda na primeira fase do puerpério, ocorre um sangramento semelhante ao da menstruação, que pode ser de fluxo bastante intenso. Ele resulta da descamação da decídua, camada que reveste a parte interna do útero na gestação. 

É interessante notar que o sangramento vai mudando de cor ao longo dos dias. Nos primeiros dois (ou três), o sangue possui um tom vermelho intenso. 

Do quarto ao décimo dia, a cor se torna amarelada; e, em média após dez dias, clareia-se ainda mais até cessar. 

É aconselhável que, no puerpério imediato, a mulher realize leves caminhadas nas primeiras horas para diminuir o risco de trombose, melhorar o trânsito intestinal, além de contribuir para o bem-estar. 

Recomenda-se também uma consulta com o obstetra ou ginecologista em 6 ou 8 semanas após o parto para verificar a cicatrização do útero. 

É importante que a mãe conte com a sua rede de apoio, recebendo orientações corretas em relação à amamentação, bem como cuidar de si e do bebê. Geralmente, esses conselhos são fornecidos ainda no hospital durante os dias em observação.

Mãe amamentando no período de puerpério

Puerpério tardio

A segunda fase ocorre entre o 11º e o 25º dia. Aqui, o útero começa a voltar ao seu tamanho normal (em média 7 centímetros).

Entretanto, as alterações físicas e hormonais continuam acontecendo. É importante enfatizar que o aleitamento materno protege a puérpera contra doenças coronárias e o câncer de mama.

No puerpério tardio, a produção de leite aumenta progressivamente, podendo chegar a 600ml ao dia. A mãe também pode sofrer com pequenos machucados no mamilo, capazes de contrair bactérias, provocando mastite, por exemplo.

Durante a gravidez, o sistema urinário é outra parte afetada, pois a bexiga pode ficar excessivamente comprimida, a ponto de a mulher urinar com mais frequência. Porém, depois do parto a puérpera pode sofrer incontinência urinária e a sensação de esvaziamento incompleto da bexiga.

Puerpério Remoto

Essa fase começa no 25º dia do pós-parto. Nela, o lóquio – ou seja, a perda de sangue – está em sua fase final, indicando que a mulher pode voltar a menstruar. 

De acordo com especialistas, se a mulher diminuir o ritmo de amamentação para duas vezes ao dia, provavelmente voltará a menstruar, retomando seu período fértil.

Contudo, as mães que oferecem exclusivamente o peito podem ficar sem menstruar por mais de um ano.

O que muda no corpo da mãe?

Durante as fases do Puerpério, muitas mudanças ocorrem no corpo da mulher, a começar pelas mamas, que durante a gravidez estavam mais maleáveis, sem causar desconforto. 

Agora, é comum que elas fiquem mais durinhas por estarem cheias de leite. 

O abdômen, por sua vez, permanece inchado devido ao útero ainda não estar no seu tamanho normal, o que diminui a cada dia, ficando bastante flácido. 

Algumas mulheres podem sentir um afastamento dos músculos da parede abdominal (diástase abdominal), que deve ser corrigida com alguns exercícios. 

Ao amamentar, também é normal que a mulher sinta cólicas ou algum desconforto abdominal devido às contrações que fazem o útero voltar ao seu tamanho normal.

Essas contrações podem, muitas vezes, ser estimuladas pelo processo de amamentação. 

Tal desconforto é mais comum em mulheres que tiveram parto normal com episiotomia, ou seja, com pontos na vagina. 

No entanto, toda mulher que passou pelo parto normal pode ter modificações na vagina, que também fica mais dilatada e inchada nos primeiros dias após o nascimento do bebê.

Como se preparar para o puerpério

A tarefa pode ser totalmente possível e benéfica para as mães. Esse momento pode abranger aspectos práticos da rotina e psicológicos que começam a ser trabalhados ainda na gestação. 

Existem algumas atividades que podem ser feitas durante a gravidez que contribuem com o bem-estar da mãe, como yoga, pilates, meditação, leitura, participação em grupos de gestantes ou de preparo para a amamentação etc. 

Por isso, procure atividades que façam com que você se sinta relaxada e bem consigo mesma. Tais atividades podem transmitir segurança e tranquilidade para a mulher, fatores fundamentais no puerpério.

É importante manter por perto pessoas passando pelos mesmos sentimentos, pois isso pode deixar a mãe sentindo-se mais acolhida, auxiliando sua saúde mental.

Portanto, amiga ou familiar próxima que também estejam grávidas ou grupos virtuais podem ser úteis, com trocas e experiências. No entanto, não deixe de compartilhar seus medos e angústias com o seu/sua parceiro(a). 

As primeiras semanas com o recém-nascido costumam exigir muito da mãe, física e emocionalmente. Por isso, visando deixar a mãe mais tranquila para cuidar de si e do bebê, tente adiantar com a família no fim da gravidez o que for possível de tarefas domésticas. 

Outra ideia é montar um cronograma de organização das tarefas da casa, combinando com as pessoas próximas quem pode fazer o que nas semanas após o nascimento do bebê.  

É completamente compreensível que a mãe necessite de um tempo a sós para cuidar de si. Por isso, não tenha receio de aceitar ajuda, especialmente no primeiro mês pós-parto. 

Conte com familiares, amigos e pessoas próximas que demonstram vontade de ajudá-la nas tarefas com o bebê ou domésticas.

Mãe exausta durante o puerpério

Saúde mental das mães no puerpério

O puerpério refere-se a um momento de transição em que ocorrem intensas alterações fisiológicas e psicológicas nas mulheres, envolvendo tanto aspectos hormonais, como questões familiares e culturais. 

Alterações hormonais, amamentação, demandas em tempo integral do bebê, perda e não retorno imediato ao corpo anterior à gestação, privação do sono, pressões sociais. Esses acontecimentos, podem afetar emocionalmente as mulheres, que reagirão de um jeito particular. 

Algumas mulheres podem sentir cansaço, solidão, tristeza e desamparo, o que, até um certo ponto, faz parte de suas experiências no geral. Por isso, é necessário ficar atento(a) para reconhecer quando esses sentimentos deixam de ser algo fisiológico e passam a merecer maior atenção de especialistas. 

Nessa fase, é comum acontecer o que chamamos de baby blues” (ou blues pós parto). Essa condição se manifesta em aproximadamente 50% ou mais das mulheres dentro de uma semana após o parto, e está associada tanto a questões hormonais, como aspectos socioculturais.

Trata-se de uma situação transitória caracterizada por sintomas depressivos leves, como tristeza, choro, irritabilidade, ansiedade, insônia, exaustão e diminuição da concentração, bem como instabilidade do humor. 

Os sintomas geralmente se desenvolvem dentro de dois a três dias após o parto, atingem o pico pouco depois e tendem a desaparecer por volta de duas semanas. 

Geralmente o quadro não requer tratamento clínico, e as mulheres devem receber conforto, segurança e amparo por parte de familiares e de suas redes de apoio. 

É fundamental que a mãe, o pai ou familiares reconheçam o baby blues, pois, de acordo com estudos realizados na Alemanha e na Nigéria, o risco de depressão pós-parto é aproximadamente 4 a 11 vezes maior entre as mulheres que sofrem dessa condição.

No entanto, se esse quadro se agravar, pode ser um indício de depressão pós-parto, algo que irá exigir acompanhamento médico e psicológico imediatamente. 

Embora os sintomas de baby blues e depressão pós-parto sejam relativamente parecidos, na depressão eles costumam ser mais profundos, intensos e duradouros.

Alguns dos sintomas da depressão pós-parto são: ansiedade sobre a saúde do bebê, preocupação com a capacidade de cuidar dele, desânimo, desinteresse, insônia, culpa, transtornos por uso de substâncias e ideação suicida. 

A depressão pode ter início antes ou durante a gravidez em aproximadamente 50% das pacientes. Também pode se desenvolver como um agravamento do baby blues, ou então aparecer meses após o parto.

Alerta para saúde mental no puerpério

Apesar de pouco falada, a depressão também pode atingir de 3 a 5% dos pais e também merece atenção, pois pode interferir na construção do vínculo paterno-infantil.

Os tratamentos usuais para depressão pós-parto podem incluir o uso de antidepressivos e o acompanhamento terapêutico com psicólogo ou psiquiatra.

As mulheres que estão amamentando devem evitar certos medicamentos, mas existem opções seguras que permitem manter a lactação durante o tratamento.

O acompanhamento profissional é fundamental, pois a depressão pós-parto está associada à má nutrição e saúde do bebê, e pode interferir na amamentação, na construção do vínculo entre a mãe e a criança, nos cuidados com o filho e no relacionamento com o(a) parceiro(a) da mulher.

Psicose puerperal

Um pouco mais raro, este é o transtorno mental mais grave que pode ocorrer no puerpério.

Ele costuma ter início rápido, e os sintomas se instalam já nos primeiros dias até duas semanas após o parto. Apesar de apresentar sintomas parecidos com a depressão pós-parto – como irritação, agitação e insônia -, existem aspectos que as diferenciam. 

A psicose puerperal pode provocar um afastamento ou ruptura com a realidade, envolvendo delírios, alucinações, ideias persecutórias e confusão mental. 

Nos piores quadros, a mulher pode não ser capaz de reconhecer o bebê como “seu” e, infelizmente, ideias de infanticídio podem surgir. Alguns casos podem ser tratados com medicação e psicoterapia, enquanto outros mais graves envolvem internação.

Mãe e pai dando carinho ao bebê

Diante das doenças mentais que podem afetar as mulheres no puerpério, é importante ressaltarmos que todas podem ser evitadas. 

Reforçamos: é fundamental que a mulher, a família e os profissionais de saúde tenham um cuidado redobrado para acompanhar de perto possíveis alterações comportamentais e intervir quando necessário.