Publicado em Saúde e Comportamento em 15/12/2016

Recentemente, a Organização Mundial de Saúde fez um alerta sobre o crescimento de casos de microcefalia em regiões com a presença do zika vírus, como em Pernambuco. Verificou-se uma forte presença de má formação do cérebro dos bebês recém-nascidos em regiões com a presença do zika vírus.

O zika vírus é um vírus proveniente da Uganda, isolado na floresta de Zika há mais de 50 anos. Entre os principais transmissores está o mosquito aedes aegypti, o mesmo transmissor da dengue e da chikungunya.

Microcefalia é uma condição neurológica em que a circunferência da cabeça da criança é significativamente menor que a circunferência da cabeça de outras crianças. Usualmente é resultado de um desenvolvimento cerebral prejudicado intraútero.

A microcefalia pode ser causada por uma variedade de fatores genéticos e/ou ambientais. Crianças com microcefalia frequentemente apresentam atraso do desenvolvimento. Geralmente não há tratamento, porém, a intervenção precoce com terapia de suporte, como terapia ocupacional e fonoaudiologia, pode aumentar o desenvolvimento e melhorar a qualidade de vida.

O principal sinal de que uma criança tem microcefalia é uma medida da circunferência da cabeça significativamente menor que de outras crianças da mesma idade e sexo. Para esse diagnóstico, são utilizadas curvas de crescimento calculado em percentis.

Causas

A microcefalia usualmente é o resultado do desenvolvimento anormal do cérebro, que pode ocorrer intraútero (congênito) ou durante a infância.

A microcefalia pode ser genética ou decorrente de fatores ambientais. Entre as causas, podemos citar:

Craniossinostose: ocorre devido à fusão prematura das suturas cranianas que formam o crânio, impedindo o crescimento do cérebro. O tratamento é baseado em cirurgia para manter um espaço adequado entre essas suturas.

Alterações cromossômicas: Síndrome de Down e outras condições podem cursar com microcefalia.

Anoxia cerebral (redução da oferta de oxigênio ao cérebro do bebê intraútero): algumas complicações da gestação ou do parto podem prejudicar a oferta de oxigênio ao cérebro fetal.

Infecção no feto durante a gestação: toxoplasmose, citomegalovírus, rubéola, varicela e zika vírus são alguns exemplos.

Exposição intraútero a drogas, álcool e alguns produtos químicos: pode aumentar o risco de anormalidades cerebrais.

Desnutrição grave durante a gestação pode afetar o desenvolvimento do bebê.

Dependendo da gravidade da causa que provocou a microcefalia, algumas complicações podem ocorrer:

  • Atraso no desenvolvimento neuropsicomotor.
  • Dificuldade de coordenação.
  • Baixa estatura e alterações faciais.
  • Retardo mental.
  • Convulsão.

O diagnóstico de microcefalia é simples, realizado pela medida da circunferência da cabeça do bebê e comparada com a média de crianças para a mesma idade e sexo, utilizando gráficos apropriados. A medida da cabeça dos pais também deve ser realizada. Em alguns casos, principalmente se o desenvolvimento está atrasado, exames de imagem, como tomografia computadorizada ou ressonância nuclear magnética de crânio, associados a alguns exames de sangue, podem ser úteis para ajudar a determinar a causa de base do atraso.

Com exceção da cirurgia para craniossinostose, geralmente não há tratamento para reversão da microcefalia. O foco do tratamento está no manejo das complicações da criança. Programas de intervenção precoce nessas crianças devem incluir terapia ocupacional, fisioterapia motora e fonoterapia.

Algumas medicações podem ser necessárias nos casos de hiperatividade e convulsão.

Ter uma criança com microcefalia pode gerar dúvidas em relação a futuras gestações. Se a causa for genética, a recomendação é procurar um geneticista para a realização de aconselhamento genético.

Fonte: Dra. Vanessa Radonsky

CRM 108111 – Pediatria e Endocrinologia Pediátrica.

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