Publicado em Saúde e Comportamento em 15/12/2016

A gripe H1N1 é uma gripe causada pelo vírus Influenza tipo A H1N1. Foi detectada em 2009 e se disseminou rapidamente pelo mundo. Neste ano, a gripe chegou antes do esperado. Não sabemos o motivo, mas uma das hipóteses é a baixa vacinação contra gripe nos últimos dois anos.

Para contrair o vírus, é necessário entrar em contato com secreção respiratória ou saliva de uma pessoa infectada. Normalmente a contaminação ocorre através da disseminação de gotículas que ficam no ar quando a pessoa infectada tosse ou espirra. Estas gotículas podem cair em objetos e superfícies onde o vírus pode ficar ativo por várias horas; assim, quem tocar no local contaminado e levar as mãos aos olhos ou à boca pode ficar doente.

Os sintomas do H1N1 são semelhantes aos da gripe comum, porém se manifestam de maneira mais intensa. Os doentes apresentam febre alta, dor muscular, tosse, coriza, dor de garganta e de cabeça e irritação nos olhos (Tabela 1).

SINTOMAS GRIPE COMUM H1N1
Febre <39oC >39oC
Calafrios Esporádicos Frequentes
Dor muscular Leve a moderada Intensa
Dor de cabeça Leve a moderada Intensa
Cansaço Moderado Intenso
Irritabilidade nos olhos Leve/moderada Intensa
Tosse Moderada Contínua e seca
Dor de garganta Intensa Leve ou ausente
Catarro Grande quantidade e com congestão nasal Pouco frequente

                 Tabela 1: Principais diferenças nos sintomas da gripe comum e H1N1

Em crianças, a presença de respiração acelerada ou dificuldade para respirar, coloração azulada da pele, febre com manchas vermelhas, não acordar ou não interagir são sinais de alerta para serem levadas com urgência para avaliação médica. Em adultos estes sinais incluem dificuldade de respirar, tontura repentina, dor ou pressão no peito, confusão mental e vômitos intensos. A principal complicação da gripe H1N1 é a Síndrome Respiratória Aguda Grave.

A principal forma de prevenção da doença é a vacinação, mesmo que sua eficácia não atinja 100% (ela varia entre 60 e 90%). A vacina está indicada a todas as pessoas, sendo que o grupo de risco deve ter preferência. O grupo de risco é formado pelas pessoas que apresentam maior probabilidade de complicação: crianças menores de 5 anos, gestantes, idosos, portadores de doença crônica, índios e trabalhadores da área de saúde. Está contraindicada nas crianças menores de 6 meses e em pessoas com antecedentes de reações alérgicas em aplicações anteriores, bem como em pessoas com alergia a ovo.

A proteção da vacina se inicia após 14 dias da aplicação, apresentando uma melhor eficácia após 30 dias. Pessoas vacinadas nos anos anteriores podem apresentar proteção mais precoce, e aquelas que têm alguma imunodeficiência, como HIV ou em uso de quimioterapia, podem demorar mais tempo.

Temos dois tipos de vacina contra a gripe. A vacina trivalente engloba os vírus do tipo A (H3N2) e (H1N1) e do tipo B. A quadrivalente apresenta mais um tipo da influenza B.

É importante lembrar que quem já tomou a vacina em anos anteriores ou até mesmo quem já teve a doença deve ser vacinado novamente, pois os anticorpos contra a gripe duram, em média, 12 meses; depois disso, o nível de proteção cai e é possível pegar a gripe novamente.

O diagnóstico da doença é realizado através de exame clínico e de teste para detecção do vírus na secreção respiratória. Existem dois testes: um é o teste rápido que detecta a presença de influenza A ou B, sem definir se de fato é o H1N1, e o outro é o teste por PCR, específico para o vírus H1N1, que demora de 2 a 4 dias.

O tratamento da gripe H1N1 deve ser realizado com analgésico e antitérmico nos casos leves. Os casos graves ou as pessoas que fazem parte do grupo de risco devem receber o antiviral oseltamivir (Tamiflu). O tratamento deve ser realizado por no mínimo 5 dias com duas doses diárias.

Além da vacinação, algumas medidas de prevenção devem ser realizadas:

– Lavar as mãos com frequência, usando água e sabão, principalmente após tossir ou espirrar. Álcool para desinfecção das mãos também pode ser usado.

– Cobrir o nariz e a boca com lenço de papel descartável quando tossir ou espirrar.

– Evitar colocar as mãos na boca, nariz ou olhos.

– Evitar contato com pessoas doentes.

Dra. Vanessa Radonsky

CRM 108111 – Pediatria e Endocrinologia Pediátrica

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