Publicado em Pós parto em 03/10/2016

Ter um filho pode ser um dos momentos mais felizes para a mulher. Mas ainda que a vida com um novo bebê seja excitante e recompensadora, às vezes também pode ser difícil e estressante. Acontecem várias mudanças físicas e emocionais na mulher quando ela está grávida e depois de ter o bebê. Essas mudanças, em alguns casos, podem deixar as mães tristes, ansiosas, confusas ou com medo.

Para muitas mulheres esses sentimentos vão embora rápido. Mas quando eles permanecem, ou ficam piores, a mulher pode ter depressão pós-parto, uma condição séria que requer tratamento.

Segundo a psicóloga Cynthia Boscovich, é importante diferenciarmos tristeza pós-parto de depressão. Ela aponta que grande parte das mulheres apresenta sintomas de tristeza após o parto, que podem também incluir outros sintomas como desânimo, angústia, mudança repentina de humor, irritabilidade e alterações do sono. Entretanto, tais sintomas muitas vezes são atribuídos a vários fatores, entre eles, alterações hormonais (os hormônios estrógeno e progesterona, que antes se encontravam em níveis elevados, caem drasticamente poucas horas após o parto), mudança repentina de estilo de vida da mulher (pois o bebê requer muitos cuidados que ela não estava habituada a fazer), mudança do ritmo de sono (pois o bebê geralmente acorda muito à noite para mamar), fatores que podem deixá-la estressada, além da preocupação materna natural que este período de dependência absoluta do bebê requer.

Esses sintomas de tristeza pós-parto, afirma a psicóloga, devem desaparecer naturalmente em até 15 dias após o nascimento do bebê; nesse caso, se sentir necessidade, uma conversa com profissional da área, podendo ser o obstetra, pediatra ou profissional que a orienta nos cuidados com o bebê, pode deixar a paciente mais tranquila e segura, favorecendo o desaparecimento dos sintomas. Porém, se os sintomas persistirem por mais tempo (semanas ou meses) e se intensificarem, ela comenta que pode tratar-se de um quadro de depressão pós-parto. É importante que a mulher perceba se esses sintomas interferem no seu dia a dia, no seu trabalho, na sua relação com as pessoas e até nos cuidados com o bebê. Procurar ajuda neste caso é fundamental.

Nos casos de depressão pós-parto existe um sofrimento muito intenso que persiste, com muita tristeza, angústia, ansiedade, entre outros sintomas. Nos casos mais graves, deve-se procurar um psicólogo que, além da psicoterapia, poderá identificar a necessidade de auxílio médico para a inclusão de medicamentos no tratamento.

O autodiagnóstico é difícil, pois muitas vezes a mulher acha que está apenas cansada e com falta de energia; além disso, ela pode se sentir culpada pela tristeza que está sentindo, pois muitas vezes não tem motivos para se sentir assim.

Por isso, caso seja notada instabilidade emocional, é importante buscar ajuda de um psicólogo, que saberá avaliar a gravidade do caso com mais precisão ou conversar com o ginecologista que realizou o parto e acompanhou a paciente durante a gestação. Ele pode também avaliar e fazer o encaminhamento para um especialista.  

Contato com outras mães é muito importante também, pois pode reduzir a ansiedade da mulher e fazê-la visualizar soluções para lidar com as alterações produzidas pela chegada do bebê.

A duração do tratamento varia de mulher para mulher, dependendo da evolução dos sintomas: pode ser curta (levar poucas semanas) ou mais longa, estendendo-se por vários meses.

 Fonte: Psicóloga Cynthia Boscovich

 

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