Publicado em Gravidez Hora do parto em 20/10/2017

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Descoberta a gravidez, os papais já começam a pensar no nascimento do bebê, na escolha do obstetra e no tipo de parto desejado. É durante esse processo que a futura mamãe começa a pensar na escolha do parto, em que suas decisões deverão ser levadas em consideração. Mas afinal, o que é o “parto humanizado”? Primeiramente, é importante salientar que o “parto humanizado” não é um tipo de parto. É a maneira como o processo é conduzido, tornando o momento do parto um processo fisiológico natural e até mesmo instintivo.

Diferença entre parto normal e humanizado

O parto normal é o resultado final. Ou seja, todo parto que acontece pela via vaginal é um parto normal. A diferença é como o processo será conduzido. Os partos normais podem ter intervenção médica. Já o parto humanizado, além de não sofrer intervenções médicas para começar (indução) e não utilizar analgesia com medicamentos, não tem tempo de duração. Nesse caso, são respeitados os tempos da mãe e do bebê para o processo de nascimento.  

Entre os principais benefícios do parto humanizado, estão: apoio emocional durante o trabalho de parto, recuperação do pós-parto mais rápida, melhor percepção do momento, interação mãe-filho imediata e amamentação nas primeiras horas de vida.

O ginecologista e obstetra Alberto Guimarães, idealizador do programa “Parto Sem Medo”, esclarece que o termo “humanização” tem o propósito de desconstruir a percepção comum de que a dor na hora do parto não pode ser suportada pela futura mamãe. “O parto humanizado é indicado para todas as mulheres, desde que não exista algum problema de saúde durante o pré-natal. É um processo em que 100% da atenção é voltada à mamãe e ao bebê”, esclarece.

Preparação para o parto humanizado

O preparo para o parto humanizado já se inicia na escolha do obstetra, que deverá acompanhar a gestação do início ao fim. O acompanhamento do profissional durante o pré-natal é importante para garantir que tanto a futura mamãe quanto o filho estejam com a saúde em dia. Dessa forma, um parto com poucas intervenções é seguro para ambos. No parto humanizado, a participação da mulher acontece de forma ativa no nascimento do bebê. “Ela define quem a acompanhará durante o trabalho de parto e tem liberdade para escolher a posição, além de poder se movimentar, sentar e caminhar no local. Nesse momento, o obstetra observa e, caso seja necessário, interfere tecnicamente”, complementa Guimarães.

Parto humanizado: importante decisão

O obstetra aconselha as mulheres que desejam realizar o parto humanizado a buscar orientações sobre o assunto e conversar com mães que já passaram por esse processo. “É importante ter certeza da escolha, pois há descontos naturais do nascimento, como dores, incômodos e até medo. Outra decisão no parto humanizado é a escolha da doula, que presta apoio emocional e físico à futura mãe, e não uma função clínica”, finaliza.

Novas diretrizes para o parto normal

O Ministério da Saúde lançou novas políticas para o parto normal e humanizado em março deste ano. São diretrizes que orientam os profissionais de saúde para o atendimento qualificado de mamães e bebês e devem ser cumpridas até setembro de 2017. Todas as maternidades, casas de parto e centros de parto normal devem incorporar as seguintes medidas:

  • Gestantes podem escolher a posição mais confortável para a hora do parto;
  • Jejum não é obrigatório;
  • Presença de doulas e/ou acompanhante;
  • Respeito à presença da família e intimidade da gestante;
  • Métodos de alívio da dor: banhos quentes, massagem e técnicas de relaxamento;
  • Direito ao uso da anestesia;
  • Contato pele a pele imediato da mãe com a criança após o nascimento;
  • Evitar a separação mãe-filho na primeira hora após o nascimento;
  • Reduzir as taxas de intervenções desnecessárias, como episiotomia (corte no períneo), uso de ocitocina (hormônio), manobra de Kristeller (empurrar a barriga da mãe), cesariana e aspiração nasofaringeana no bebê.

Alberto Guimarães é ginecologista, obstetra e criador do programa “Parto Sem Medo”. Atualmente, é gerente médico para humanização do parto e nascimento do CEJAM, em maternidades municipais de São Paulo para o programa Parto Seguro à Mãe Paulistana.