Publicado em Hora do parto em 15/03/2017

A Organização Mundial da Saúde (OMS) divide a idade gestacional e o nascimento do bebê em três definições: parto pré-termo (prematuro), quando a criança nasce antes das 37 semanas de gestação; parto a termo, entre 37 e 42 semanas de gestação; e pós-termo, que ocorre após 42 semanas de gestação. A taxa de prematuridade no Brasil é quase duas vezes maior que nos países europeus, de acordo com a pesquisa Nascer no Brasil, recentemente divulgada pela Fiocruz.

Causas

Em geral, o nascimento prematuro está relacionado à condição de saúde da futura mamãe. Entre as possíveis causas da prematuridade, estão: diabetes gestacional, pré-eclâmpsia (pressão alta na gravidez), infecções de urina e congênitas, como toxoplasmose e sífilis, redução do líquido amniótico, tabagismo, estresse, má nutrição, obesidade, idade materna avançada (acima de 35 anos) e gestação gemelar. Já em relação às condições do bebê, as causas são má formação e síndromes, como a síndrome de Down. O estudo Nascer no Brasil divulgou também que há muitos casos de prematuridade relacionados às cesarianas agendadas e quando a idade gestacional não é corretamente identificada.

Principais características

Quando comparado a um bebê que nasceu a termo, ou seja, entre 37 e 42 semanas, o prematuro é menor e tem baixo peso. Por falta de gordura, o corpo não se mantém aquecido e as veias também podem ficar aparentes. Os braços e as pernas são mais finos e os órgãos genitais podem estar em processo de formação. Além disso, o sistema nervoso e os pulmões ainda não trabalham perfeitamente. Geralmente, o prematuro não tem reflexos de sucção e deglutição, ou seja, ele não consegue sugar nem engolir, o que impede a mamãe de amamentar o filho até que ele desenvolva essas funções.

Primeiros cuidados

Depois do nascimento, na maioria dos casos, os cuidados com o prematuro se iniciam com a permanência na Unidade de Terapia Intensiva Neonatal (UTI), uma espécie de berçário especial, com aparelhos voltados para o tratamento dos bebês. Assim como nos bebês a termo, os testes do pezinho, da orelhinha e do olhinho também são feitos. Para constatar seu estado de saúde, o prematuro passa por uma série de análises e diagnósticos, como ultrassons e mapeamento de retina. Ele pode precisar de transfusão de sangue e de cirurgias. Após as avaliações, o tratamento é feito de acordo com as suas particularidades.

Na UTI, o prematuro permanece na incubadora, um equipamento que mantém o ar, a umidade e a temperatura ideais para o bem-estar e a recuperação do bebê. A respiração e os batimentos cardíacos dele são avaliados constantemente. Em relação à alimentação, por não ter reflexos de sucção e deglutição, o recém-nascido recebe leite e suplementação por meio de sonda orogástrica, em que o líquido é introduzido pela boca. Para os prematuros mais desenvolvidos, um copinho pode ser utilizado. Dependendo da evolução da criança, a amamentação materna, direto do peito da mamãe, também é possível.

Se o bebê prematuro não pode ser amamentado, uma boa alternativa é doar o leite materno. Consulte o banco de leite mais próximo de sua localidade e ajude outras mamães e bebês!

Participação dos papais

O contato pele a pele do prematuro com a mamãe e com o papai, conhecido como método canguru, ajuda na recuperação do bebê e favorece o vínculo entre mãe-bebê-papai durante a permanência do filho na Unidade de Terapia Intensiva Neonatal (UTI). Primeiro, os pais são estimulados a tocar o recém-nascido. Depois de certo tempo, o método canguru é feito de maneira contínua até que o bebê receba alta hospitalar.

Ida para casa

O prematuro costuma ser liberado da hospitalização quando atinge o peso mínimo de 2.500 g e não tem outras complicações de saúde. Os cuidados em casa com o prematuro são simples, mas exigem dedicação dos pais. É indispensável que o bebê permaneça em local protegido e longe de pessoas infectadas, pois nos primeiros meses as chances de contrair uma doença são maiores. Frequentemente, o prematuro precisará visitar o pediatra, para que o especialista acompanhe a saúde da criança. Antes de deixar o hospital, a equipe de enfermagem orienta os papais nos principais cuidados com o bebê, como banho e alimentação.

Outras informações importantes sobre a prematuridade:

– O prematuro tem a idade corrigida, considerando-se a 40ª semana. Exemplo: se nasce com 35 semanas e tem dois meses, a idade corrigida dele é de três semanas;

– O acompanhamento da gravidez e do desenvolvimento do bebê na gestação (pré-natal) é essencial na prevenção da prematuridade;

– Até o fechamento desta matéria (março de 2017), está em andamento a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) 58, que estende a licença-maternidade para as mães de prematuros;

– O calendário de vacinação do bebê prematuro segue a idade cronológica e não a corrigida;

– A icterícia, doença causada pelo excesso de bilirrubina (substância amarelada) no sangue, atinge 90% dos prematuros;

– Por não ter os sistemas respiratório e cardiovascular completamente desenvolvidos, o prematuro pode ter complicações relacionadas à saúde do coração;

– Casos se sintam deprimidos e inseguros, os papais devem procurar ajuda psicológica, a fim de amenizar esses sentimentos.