Publicado em Relacionamento de Irmãos em 27/09/2016

As brigas entre irmãos são comuns e ter diferenças é até mesmo saudável para eles. Os desentendimentos quase sempre acontecem por opiniões divergentes, ciúme, medo, desejos, entre outros sentimentos e reações que são processos naturais do desenvolvimento da criança e da formação da personalidade. Essas desavenças funcionam como uma espécie de “experimentação”, ou seja, servem como um treinamento para as experiências fora da família, pois mais à frente os pequenos vão se relacionar com pessoas diferentes, que têm ideias contrárias às deles.

Dicas de especialista

A psicóloga e psicanalista Fabiana Benetti orienta os pais a intervirem nas disputas entre irmãos quando notarem que o limite está sendo ultrapassado: “Os pais devem ficar atentos quando a briga não cessa e toma proporções perigosas, com agressões verbais e físicas muito desrespeitosas. Isso acontece porque a criança não tem maturidade para lidar com a situação”, esclarece. Na hora da intervenção, é essencial conversar com os filhos sobre os danos que os conflitos trazem à família e não se render às explicações sobre “de quem é a culpa”.

A psicóloga acrescenta que é importante ensinar os filhos a identificar os sentimentos relacionados aos conflitos. “É preciso deixar claro que todos perdem com isso, e não só o irmãozinho que deu início ao conflito. Os pais devem ser firmes ao afirmar que, qualquer que seja o motivo da briga, os dois saem prejudicados, e que as desavenças resultam em tristeza, raiva, medo, insegurança, entre outras emoções”, acrescenta. Quando os irmãos brigam porque querem o mesmo brinquedo, por exemplo, os pais precisam conversar e dizer que ninguém irá brincar com ele até encontrarem uma maneira de compartilhar. Por isso, eles precisam ser incentivados a buscar o bem comum.

 Como amenizar as brigas

Para diminuir as brigas entre irmãos e tornar o relacionamento entre os dois mais pacífico, o contato da mamãe e do papai com cada filho é indispensável. Os pais precisam se relacionar com as crianças de maneira individual, uma vez que essa aproximação particular pode ajudar a identificar os medos, os desejos e as frustrações de cada um. “É de extrema importância os pais terem momentos exclusivos com cada filho, para estabelecer intimidade e confiança. E, sempre que possível, não julgá-los. Em momentos conflitantes, eles também devem se sentir acolhidos”, aconselha Fabiana.

Quando buscar ajuda?

Os pais podem procurar ajuda de um psicólogo sempre que quiserem orientações para lidar com as brigas entre os filhos, e inevitavelmente quando as agressões entre eles não forem amenizadas ou solucionadas com conversas. Os pais devem procurar um profissional quando os conflitos prejudicarem as relações na família. Normalmente, isso ocorre quando a intimidade e a cumplicidade foram substituídas pela desconfiança.