Publicado em Regras da casa em 15/12/2016

Logo que nascem, os bebês reconhecem pelo menos uma voz: a da mãe. Esse é um dos primeiros sentidos despertados. Descubra como estimular seu pimpolho de forma correta nos primeiros anos de vida.

O estímulo começa desde o nascimento. A partir desse instante, o recém-nascido observa tudo à sua volta. De acordo com a psicopedagoga Betina Serson, ele pode ser estimulado a todo momento, mas é necessário evitar brincadeiras violentas ou atitudes muito agressivas. Este tipo de comportamento pode assustar a criança. Outra recomendação é conversar bastante com o filho. Dessa forma, o pequeno ser indefeso começa a assimilar pensamentos e emoções.

“Brincadeira é a sabedoria da infância. É algo que não precisa ser ensinado e, mesmo assim, para que dê frutos mais tarde, tem que ser encorajado e apreciado. Para uma criança pequena, o adulto é um facilitador que a protege e que, por meio das brincadeiras, descobre de si mesmo uma infância que faz bem à saúde e é estimulante em relação à vida”, dizem Christopher Clouder e Janni Nicol, autores do livro Brincadeiras Criativas Para o Seu Bebê.

Segundo os autores, quanto mais a criança brinca, mais ela aprende. Brincar é uma atividade inteiramente absorvida e não pode ser negligenciada, não pode ser vista como uma atividade para ocupar o tempo livre. Ela abrange o humor, a arte, o bem-estar físico, os relacionamentos humanos, a conscientização do ambiente que cerca os pequenos e dá noção do “eu” no espaço.

O ambiente em casa deve ser seguro, isto é, a criança não pode ter acesso a materiais quebráveis, remédios e produtos de limpeza. Os riscos precisam ser mantidos bem afastados dos pequenos. Não é necessário mudar a decoração da casa, arrastar móveis para o canto e tirar enfeites do lugar. O indispensável é a atenção!

“No começo, a criança precisa de muita supervisão para aprender a andar entre os móveis e objetos, mas com o tempo ela se acostuma”, diz a psicopedagoga Betina Serson.

Outro cuidado simples é afastar os bebês de barulhos excessivos e muita luz. Seguir uma rotina, criar hábitos e regras é muito importante. Estabelecer um cronograma diário desde cedo é fundamental para o bom desenvolvimento do bebê e representa organização e estabilidade. “A rotina acalma a criança e dá menos ansiedade”.

As tarefas e atividades repetidas garantem sensação de segurança. “O bebê saberá o que vem depois de acordar, de comer ou tomar banho”, explica a especialista. Os profissionais da área de educação também aconselham que, quando os cuidadores forem mudar o ritual do cotidiano, avisem, mas não com muita antecedência, já que os pequenos não têm noção exata de tempo, o que pode provocar ansiedade.

As histórias infantis, principalmente as clássicas, são muito importantes para o estímulo. “Evite assustar a criança com bruxas ou monstros. Isso pode não ser muito bom. Cantar e dançar também podem ser atividades feitas desde que o nenê nasce”. Segundo Serson, um ótimo estímulo é conversar com o bebê, mesmo que você ache que ele não esteja entendendo. “Na verdade, a criança compreende o que está sendo falado através do tom da voz e da mudança do corpo. Por isso, quando os pais discutem ou manifestam alguma atitude agressiva próximo ao neném, ele começa a chorar ou fica irritado”.

Durante as brincadeiras, os adultos só precisam tomar alguns cuidados como, por exemplo, comprar brinquedos adequados à faixa etária. Eles também não podem ser agressivos ou ter peças muito pequenas, para evitar que a criança engula. “Os brinquedos como armas ou monstros agressivos não devem ser entregues às crianças em nenhuma idade”, orienta a pedagoga. A profissional ainda estabelece que os responsáveis minimizem ao máximo brincadeiras violentas e agressões verbais.

É extremamente positivo que o bebê se relacione com adultos e também com crianças mais velhas, desde que se tome cuidado com a diferença de idade e os pais não percam a atenção. “Crianças até uma determinada idade muitas vezes não sabem dos cuidados que se deve ter com o bebê”. A mesma ressalva vale para alguns adultos que não necessariamente sabem como lidar e cuidar dos pequenos. O ideal é supervisionar.

Segundo a obra Brincadeiras Criativas Para o Seu Bebê, a criança precisa de uma família segura e os pequenos que foram ou são criados sem nenhum adulto por perto jamais conseguirão atingir todo o seu potencial humano. “As crianças que crescem isoladas em seus primeiros anos de vida e não se relacionam com outras pessoas jamais conseguirão recuperar essa experiência, mesmo que recebam muitos cuidados e atenção quando mais velhas”.

Saiba o que é e o que não é apropriado para estimular o seu bebê. 

APROPRIADO

>> Quando o bebê chora ou mostra que está desconfortável por meio da linguagem corporal, deve ser prontamente atendido.

>> As brincadeiras devem se adequar ao nível do desenvolvimento do bebê.

>> O bebê deve ser incentivado a brincar de acordo com seu nível de desenvolvimento.

>> Os pais precisam falar e cantar com frequência com o filho, interagindo de forma alegre.

>> As crianças devem ser elogiadas ao conseguirem executar alguma tarefa.

>> A casa ideal deve ser bem ventilada e o ambiente não deve ser nem muito frio e nem muito quente.

>> Os livros devem estar à disposição dos babys e ser feitos com material apropriado, com cartolina grossa e sem pontas que possam machucar.

NÃO APROPRIADO

>> Os pais se entretêm sozinhos assistindo televisão ou ficam no computador, não existindo nenhuma interação com o pequeno.

>> Os pais não atendem prontamente às necessidades básicas do bebê.

>> Os pais atendem às necessidades dos filhos conforme a sua própria. A comida é usada como castigo ou recompensa.

>> Os pais exigem tarefas dos bebês que são superiores ao desenvolvimento dos filhos.

>> Música é usada como distração sem interação.

>> Os livros não estão à disposição o tempo todo e são feitos de papel fino que rasga com facilidade.

>> Os brinquedos não são seguros e representam perigo para o bebê.

Meu amigo imaginário

Por volta dos 2 e 3 anos, algumas crianças começam a falar com personagens que só existem na imaginação delas ou com bichinhos de pelúcia, bonecos e travesseiros. Algumas chegam a fantasiar que conversam com um super-herói ou um personagem da TV. Se isso acontecer com seu filho, nada de pânico! Ele simplesmente tem um amigo imaginário. No mundo da imaginação, esse amigo, além de fazer companhia, partilha os momentos de alegria e tristeza, fazendo-se presente em diversas situações do cotidiano da criança. Muitas vezes, as crianças contam para os pais que eles “existem”, dizem seus nomes e pedem que os adultos tratem o “coleguinha” invisível da melhor maneira possível.

O processo de ilusão que inicia e mantém o jogo infantil é um estado de “faz de conta” ao qual a criança se refere como sendo “de verdade”, mas ela sabe muito bem que é “de brincadeirinha”.

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