Publicado em Regras da casa em 30/09/2016

Desde sua criação, a televisão popularizou-se de tal maneira que é praticamente um membro da família na maioria dos lares do país. Uma união de fatores, como o número de horas que os pais estão fora de casa, o tempo que a própria criança tem livre, e mesmo os hábitos culturais de cada família determinam quanto tempo cada criança ficará exposta à programação diária dos canais abertos ou fechados.

A mídia, por ser um produto cultural, reflete a realidade da sociedade que a produz e gera grande impacto na mente da população infantil, influenciando na formação de sua personalidade. Sabemos que a criança hoje, independentemente de sua classe social, tem uma relação intensa com a televisão, sendo ela o principal veículo de entretenimento em muitos lares. Por outro lado, ao analisarmos a programação dos canais abertos, vemos que a maioria dos programas é destinada ao público adulto.

Mas o que fazer? Proibir nosso filho de assistir televisão?

O mundo moderno é formado também por tecnologia e novas mídias, e não podemos negar à criança o acesso a essas fontes de informação. O problema começa quando o tipo de informação é levado ao público errado, no momento errado. Ou seja, quando nossos filhos são levados a receber informações inadequadas para sua faixa etária, como novelas, filmes adultos ou programas que, apesar de classificados como infantis, desrespeitam a inteligência, a sensibilidade e o nível de aprendizagem de cada criança. E nem podemos dizer que a culpa é somente da televisão, pois ela ainda não funciona sozinha: nós a ligamos ou permitimos que nossa criança vá até ela e fique ali por muito tempo.

Nem sempre as crianças estão preparadas para receber as mensagens que lhes são transmitidas. Normalmente, elas não conseguem distinguir o que é real do que é fantasia, e adoram assumir a personalidade de seus personagens favoritos, sejam eles inocentes dinossauros como o Barney ou heróis mais agressivos como os Power Rangers. As mensagens da telinha impressionam, e muito, a criança. A televisão apresenta programas em formatos que envolvem a criança com muitos estímulos, desde os visuais e auditivos até os de consumismo, muitas vezes exagerado.

Sem falar nos apelos para a sexualidade precoce, presente nas novelas adultas e naquelas ditas infantis ou juvenis, cujos efeitos se refletem no comportamento erotizado ou precocemente adulto de muitas crianças.

Outro aspecto a ser observado, além do tipo de programação, é a frequência com que as crianças ficam expostas à televisão. Se o tempo que elas passam em frente à TV é maior do que o contato com outras atividades, sejam elas brincadeiras ou atividades escolares, é mais um sinal de que as coisas não estão equilibradas.

Alguns estudos relacionam o tempo que a criança assiste diariamente televisão a um atraso na aprendizagem, dizendo que quanto maior for o tempo de televisão, maior também será a falta de concentração, memorização e capacidade de raciocínio lógico na escola. O ideal é que nenhuma criança passe mais que duas horas de seu dia em frente ao aparelho.

Claro que, como tudo, a televisão também apresenta bons canais com programas educativos sem serem entediantes, com conhecimentos interessantes para os pequenos, como cores, formas, animais, letras, números, curiosidades e até atividades artísticas, além de trazerem conceitos e valores mais abstratos, como amizade, respeito e cooperação.

Todas as etapas da educação são trabalhosas, ninguém nega. Deixar a criança assistir seus programas é muitas vezes cômodo e até necessário para muitos pais atarefados. No entanto, não podemos delegar a um veículo nem sempre confiável a tarefa de ser a única fonte de diversão de nossos pequenos, até porque essa não é a proposta televisiva, que pretende servir como entretenimento ocasional e não como babá eletrônica.

É necessário pesar os prós e contras desta linguagem e utilizá-la com moderação, sem nos acomodarmos na poltrona, com o controle remoto na mão. Estabelecer horários e programas que podem ser assistidos traz benefícios para toda a família.

E lembre-se: mais do que os programas favoritos, as crianças vão levar como lembranças por toda a vida os passeios, viagens, idas à pracinha ou ao parque, os teatros, músicas e livros que lhes foram apresentados. Portanto, vamos desligar a TV e passear, olhar o movimento das ruas, fazer exercícios, andar de bicicleta, jogar bola e tudo mais que torna uma criança feliz e saudável.

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