Publicado em Primeiros Passos em 03/10/2016

Os livros, cadernos, pastas, brinquedos ou roupas já pesam na mochila do seu pequeno. Isso sem contar a caixinha de lápis de cor, agenda escolar, caderno de desenho e o lanche. Somando tudo isso, o peso da mochila pode chegar a ultrapassar o peso da criança, o que pode ser prejudicial à sua saúde. O alerta vai para os pais: as crianças que carregam mochilas muito pesadas correm o risco de sentir dores nas costas, desenvolver postura incorreta e apresentar desvios na coluna vertebral.

De acordo com Mauricio Mandel (CRM 116095), neurocirurgião formado pela USP e membro da Sociedade Brasileira de Neurocirurgia (SBN), a recomendação é que o aluno carregue até 10% do peso corporal para não ter problemas de postura. “Quando a mochila está acima do peso da criança, automaticamente ela faz um esforço além do que poderia suportar, o que pode provocar transtornos como estresse muscular e dor nas costas. Se o peso da mochila não for adequado, a criança pode enfrentar problemas sérios de coluna no futuro”, explica.

Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) mostram que o uso inadequado de mochilas é um dos motivos que levam 85% da população a sofrer de dores nas costas.

Entretanto, apesar do que se pensa, desvios na coluna não aparecem porque a criança carrega muito peso nas costas. Apenas em casos extremos isto ocorre. A escoliose atinge crianças entre 8 e 12 anos, e nesses casos o peso da mochila passa a ser um agravante da doença. “Para diagnosticar a escoliose ou a dor nas costas provocada pelo peso da mochila, é feito um raio X, além de um exame no local em que a dor é frequente”, ressalta o neurocirurgião.

E quando a criança reclamar de dor nos braços, pernas ou mãos, não deixe de consultar um médico. “Geralmente esses sintomas estão relacionados ao aumento da curva que fica próxima à base da coluna ou da curvatura no meio da costas, deixando ombros e pescoço inclinados para a frente e formando uma corcundinha. Má postura e movimentos bruscos podem comprimir o “amortecedor” que está localizado entre uma vértebra e outra. O resultado é dor aguda na hora de fazer um determinado movimento”, ressalta Mandel.

A posição certa
Para não ter problemas no futuro, a criança deve usar as duas alças para carregar a mochila. “O ideal é evitar usar uma alça só, pois pode acarretar sérios problemas de coluna”, alerta o médico.

O fundo da mochila deve ficar apoiado na curva da lombar. É recomendado que não fique mais de 10 centímetros abaixo da região da cintura. “Verifique se as alças da mochila do seu filho estão ajustadas para que a mochila se adapte à coluna lombar. Caso ela fique solta nas costas, o peso da mochila pode puxar o corpo para trás, o que pode ser prejudicial”, esclarece o especialista.

E o modelo?
Opte pelas mochilas com duas alças e com menos bolsos, evitando que a criança carregue mais acessórios, e observe a largura da mochila, que não deve ultrapassar a largura do dorso da criança.

Quanto às mochilas de rodinhas, elas são recomendadas para situações em que a criança não tenha que subir ou descer escadas.

Quando for arrumar a mochila de seu filho, a dica é colocar apenas o material que será utilizado naquele dia. Os livros maiores podem ser deixados nos armários da escola. Caso seja inevitável levar muito material para o colégio, a criança precisará da ajuda dos pais para carregar os materiais.

Fonte: Mauricio Mandel (CRM 116095), neurocirurgião formado pela USP e membro da Sociedade Brasileira de Neurocirurgia (SBN) (Materlife)

aviso-portal