Publicado em Criança Primeiros Passos em 23/08/2018

A cada três anos, a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) realiza um levantamento para avaliar os conhecimentos gerais de alunos do mundo inteiro e, no final de 2016, foi revelado um índice preocupante em relação a taxa dos estudantes brasileiros que possuem bom desempenho em leitura. Segundo as informações reveladas pelo Programa de Avaliação Internacional de Estudantes (Pisa), 51% dos alunos estão abaixo do nível 2, patamar estabelecido como necessário para que o indivíduo consiga exercer plenamente sua cidadania.

Uma maneira para driblar esse número é começar a estimular as crianças a lerem desde cedo. A melhor fase para começar a introduzir os livros em suas vidas é desde o nascimento até os quatro anos de idade, período em que ocorre mais de 50% de seu desenvolvimento intelectual. Segundo a psicóloga e professora de Psicanálise da PUC-SP Elisa Cintra, “o cérebro das crianças pequenas possui maior plasticidade e abertura para assimilar coisas novas, e a linguagem do conto é como um impulso no seu desenvolvimento”.

O papel dos pais é fundamental para gerar nas crianças o gosto pela leitura. Um estudo feito pela Fundação Itaú Social mostrou que ler para elas pode ser bastante benéfico, estimulando seu progresso da linguagem oral, desenvoltura fonológica e soletração, além de alimentar a criatividade e construir um senso de empatia. Para Elisa, “as histórias por meio da linguagem funcionam como estímulos que ampliam as percepções, permitindo que a criança tenha maior facilidade de aprender e se alfabetizar”.

É essencial ressaltar a importância de ler para uma criança e nunca é cedo demais para começar. Até mesmo os bebês são favorecidos com o hábito da leitura. A voz materna por si só já exerce influência sobre a criança, transmitindo calma e tranquilidade, além de ser uma ótima maneira para estabelecer uma conexão de afeto entre a mãe e seu filho. “Ocorre uma experiência que chamamos de ‘mutualidade’, em que ambos os lados se beneficiam com a troca amorosa que se constrói a partir desse ato”, afirmou a psicóloga.

Existem algumas técnicas que podem ser utilizadas para tornar a hora da leitura mais atrativa para os pequenos. Prolongar as vogais, falar lentamente e oscilar a tonalidade da voz podem ajudar a prender a atenção deles e mantê-los interessados, mesmo com pouco entendimento sobre as palavras. A musicalidade e o teatro por trás das histórias, além de prender a concentração, são “propiciadores do desenvolvimento cognitivo e afetivo, servindo também como um primeiro contato para introduzir a linguagem adulta no seu mundo”, completou Elisa.

Quando a criança já está mais crescida, por sua vez, é válido investir em livros interativos que podem estimular o desenvolvimento de funções motoras, auditivas e visuais. Leituras simples, com histórias que façam parte do universo dos pequenos, apresentando animais e natureza, são também recomendadas por Elisa. “Nessa fase, a criança está descobrindo o mundo e é importante transmitir-lhe confiança e mostrar que ela é sim capaz de realizar e descobrir coisas novas”.

A leitura é sempre muito bem-vinda e pode ser uma excelente alternativa para tratar a ansiedade dos pequenos. Mas, como as crianças são muito sensitivas, “é importante que os pais estejam relaxados nesse momento para conseguir criar um clima de intimidade e troca afetiva. Antes de dormir é um horário bastante propício e passa calma e segurança”, explica a psicóloga sobre a importância de ler para uma criança.

A leitura é um momento dedicado tanto para o seu filho, quanto para você, e incluí-lo no processo vai criar um ambiente muito mais prazeroso. “Perceber o tipo de história que mais capta a atenção das crianças e perguntar o que elas estão achando irá construir intimidade e vivacidade”, finaliza a psicóloga. Mas, não se engane, se quiser fazer com que o seu filho adquira o gosto pela leitura, o primeiro passo é mostrar para ele que você também gosta de ler.