Publicado em Comportamento em 26/04/2017

A partir dos dois anos, tem início uma grande transformação no comportamento da criança. É uma fase cujo pico ocorre entre três e quatro anos, declinando gradualmente a partir dessa idade.

Nessa fase, a criança começa a distinguir o “certo” do “errado”, não só pelas atitudes em si, mas também pelo olhar crítico dos pais ou mudança de postura deles. Assim, pode-se dizer que ela tem percepção de que certas ações terão determinadas consequências, tanto as aceitáveis como não aceitáveis.

Por este motivo, é muito importante elogiá-la quando fizer algo esperado e orientá-la quando for o contrário, pois isso ajuda a manter ou corrigir certos comportamentos e atitudes.

Apesar de adquirir essa consciência, é justamente quando está mais próxima dos três anos que a criança começa a tentar violar as regras sociais e familiares. Muitas vezes o faz apenas por diversão, esperando arrancar risos dos adultos e irmãos. Assim, pode jogar o prato de comida no chão ou os talheres utilizados quando estiver satisfeita, rir dos erros de outras pessoas e desobedecer ordens.

Nessa fase, a criança é capaz de formar frases curtas, como “eu subo”, “eu faço”. Tem noção de que pode influenciar outras pessoas e também de que adquiriu novas capacidades, entre elas, saber nomear objetos corretamente e diferenciar o tipo de roupa que usa para dormir, brincar ou passear.

Adora dirigir o comportamento dos outros, determinando, numa brincadeira, quem faz qual personagem ou quem usa qual brinquedo, justamente por ter o senso de influência.

Se vê uma pessoa em sofrimento, fica preocupada e pode se aproximar para lhe oferecer carinho e conforto. É uma busca dentro de suas próprias vivências emocionais, quando também foi amparada e protegida.

Pode se tornar mais possessiva em relação aos seus brinquedos, exercendo controle sobre eles, ou seja, ela decide se outra criança pode ou não mexer em suas coisas.

Tem início a fase do “não”, o que não significa que não queira de fato, apenas diz não para quase tudo, numa tentativa de autonomia e desprendimento rumo à independência. É o desejo crescente de controlar seu próprio mundo e de se sentir poderosa. Aos poucos, vai abandonando esse comportamento, principalmente ao perceber que não é necessário se autoafirmar.

Os pais se assustam com tanta mudança, afinal, até recentemente seu filho era um bebê fácil de lidar, obediente e dócil.

É comum a criança dessa idade querer escolher o que vestir. Para evitar estresse desnecessário, separe duas ou três peças de roupas adequadas ao clima e passeio, coloque-as sobre a cama e peça que ela decida qual quer usar. A criança se sentirá fortalecida, respeitada e aceita.

O maior desgaste emocional entre os pais e seu filho se dá fundamentalmente pelo fato de alguns não aceitarem que ele cresceu e tem vontade própria, continuando a tratá-lo como um bebê completamente dependente e não permitindo que ele exerça sua individualidade e autonomia. Ou seja, em vez de oferecer opções adequadas, tomam decisões por ele quanto ao que vestir ou o que fazer.

Apesar de crítica, essa é uma fase de desenvolvimento saudável, normal e que necessita de muita compreensão e paciência. Para não tolher a luta incessante pela independência, os pais devem ser mais flexíveis, negociando com a criança o que pode ser alterado; porém, as regras e limites básicos terão que ser mantidos e respeitados sempre, com consistência e de comum acordo entre os responsáveis.

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