Publicado em Saúde do Bebê em 03/10/2016

O autismo é uma disfunção do desenvolvimento cerebral que acomete cerca de 1% da população, sendo mais comum em meninos. Existem vários graus e tipos de autismo, por isso os portadores podem ser bem diferentes entre si. Essa disfunção geralmente se apresenta de forma evidente antes dos 3 anos de idade. Infelizmente, no Brasil o diagnóstico ainda é muito tardio, ocorrendo quase sempre na idade escolar. No entanto, pais atentos e informados podem mudar essa estatística, identificando sinais leves e precoces e levando ao conhecimento do pediatra, que poderá orientar o melhor caminho de acordo com cada caso.

A criança com autismo, na maioria das vezes, não apresenta alterações visíveis no rosto ou no corpo. Quando bebê, geralmente alimenta-se bem, ganha peso e é bem ativo e interativo. Com o tempo, no entanto, seu desenvolvimento assume aspectos peculiares e ocorrem distorções no amadurecimento da linguagem, no contato interpessoal e no comportamento.

Segundo o neurologista Leandro Teles, membro da academia Brasileira de Neurologia, “o momento ideal para o diagnóstico é entre 18 e 36 meses; antes disso, podem ocorrem indícios que devem ser atentamente acompanhados pelo especialista. O sinal de alarme mais comum é o atraso na linguagem, mas quando isso ocorre de forma evidente, geralmente a criança já apresenta uma série de outros sinais de restrição social, dificuldade de percepção e interação com o outro e comportamentos peculiares, tais como: apego a rotinas, brincadeiras concretas, estereotipias, intolerância sensorial etc.”.

O autismo não aparece em exames de rotina, não é apontado no teste do pezinho, nem mesmo em ressonâncias ou tomografias. O diagnóstico é baseado em queixas familiares e escolares, em conjunto com uma avaliação médica estruturada e a impressão do especialista (neuropsiquiatra infantil ou neuropediatra). A causa do distúrbio ainda é desconhecida, mas acredita-se que fortes determinantes genéticos sejam os responsáveis, sendo injusto culpar vacinas e o método de criação por essa patologia.

Convidamos o neurologista Leandro Teles para enumerar alguns sinais que podem ocorrer na criança com autismo clássico. Não se pode esquecer que existem formas mais sutis da doença e que a presença de um ou outro dos sinais abaixo não encerra o diagnóstico, que deve sempre ser feito por um especialista. As crianças com autismo costumam apresentar os seguintes sinais:

  • Têm dificuldade de olhar nos olhos;
  • Não mudam o comportamento na presença de outra pessoa;
  • Têm dificuldade de imitar caretas e expressões faciais;
  • Não apontam objetos;
  • Parecem “surdas”, reagindo pouco ou nada mesmo ao serem chamadas pelo nome;
  • Mostram-se incomodadas quando fora de sua rotina ou em ambientes com muitos estímulos;
  • Não se sentem à vontade com abraços, beijos e toques;
  • Apresentam atraso no desenvolvimento da comunicação interpessoal (verbal ou não verbal);
  • Mostram dificuldade para iniciar ou sustentar um diálogo;
  • Brincam de forma diferente, com objetos concretos e previsíveis (brincando com hélice de ventilador, rodando um prato, empilhando brinquedos, alinhando carrinhos etc.);
  • Apresentam olhar vago;
  • Balançam constantemente o tronco, a cabeça ou outras partes do corpo, aparentemente sem uma intenção clara;
  • Ataques repentinos e aparentemente imotivados de fúria (intolerância ambiental).

Como podemos ver, os sintomas giram em torno de 3 eixos: alteração de linguagem e comunicação, comportamento peculiar e baixa percepção e interação social. A criança fica mais distante, mesmo dos pais, parece aérea, mostra interesse por objetos e apresenta alterações sensoriais, como hipersensibilidade a ruídos e luz.

O autismo é uma disfunção crônica; o tratamento exige medidas variadas e individualizadas caso a caso. De modo geral, a criança precisa de um equipe multidisciplinar com abordagem clínica, fonoterápica, fisioterápica e pedagógica, a fim de inibir os comportamentos disfuncionais e desenvolver suas habilidades mais adaptativas. A resposta é melhor quanto antes as terapias forem iniciadas.

Em caso de suspeita, é fundamental procurar um especialista.

Fonte: Neurologista Leandro Teles (CRM 124.984). Formado e especializado pela USP e Membro Efetivo da Academia Brasileira de Neurologia (ABN)

Site: www.leandroteles.com.br

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