Publicado em Saúde do Bebê em 28/04/2017

Somos seres homeotérmicos

Quando sentimos frio, ficamos pálidos; já no clima quente, ficamos vermelhos e transpiramos. Por quê? Existe um sistema muito complexo que mantém nossa temperatura. Assim, quando o termostato (hipotálamo) avisa que está frio, a pele fica pálida pela “contração” dos vasos sanguíneos e não perdemos calor pela pele. Quando o aviso é de aumento de temperatura, há uma vasodilatação (ficamos vermelhos), transpiramos (suor), ocorre a evaporação desse suor e perdemos calor. Resultado final: homeotermia, ou seja, independentemente da temperatura externa, nossa temperatura se mantém constante.

Febre não é doença

Em algumas situações, especialmente nas crianças, nosso organismo é atacado por agentes externos que colocam nossa saúde em risco (principalmente vírus, bactérias e fungos). Nesses casos, trabalhos recentes mostraram que a febre é um mecanismo fisiológico que tem efeitos positivos quando nosso organismo tenta combater uma infecção, aumentando a produção de anticorpos e glóbulos brancos, dificultando ou até inibindo a multiplicação de alguns agentes infecciosos (vírus e bactérias).

O que fazer?

A única forma de saber se alguém tem febre é medindo sua temperatura. Ter um termômetro em casa é básico, pois “casa que tem criança tem que ter um bom termômetro”. Mas atenção: o termômetro de vidro com mercúrio está proibido pelo risco de acidentes na infância.

Considera-se normal a temperatura de até 37 °C. Entre 37,2 °C e 37,8 °C, considera-se a criança subfebril. Acima de 37,8 °C, podemos considerar a criança febril, o que não quer dizer que ela precisa ser medicada. Nesse caso, recomenda-se desagasalhar a criança e medir novamente a temperatura após 30 minutos. Se a febre persiste mas seu filho está ativo, se alimentando bem, é importante hidratá-lo, deixar o ambiente agradável e entrar em contato com o pediatra para saber se é necessário medicar para baixar a temperatura. Lembre-se de que baixar a febre não trata a doença de base, apenas melhora a sensação de conforto da criança.

Quando não esperar?

Há algumas situações que requerem uma atitude mais rápida dos pais, que devem procurar o pediatra ou um pronto-socorro:

  • Se for a primeira febre de seu bebê, converse com seu pediatra para obter orientações;
  • Bebês abaixo de 3 meses com temperaturas acima de 38 °C ou abaixo de 35,5 °C;
  • Quando, mesmo após normalizar a temperatura, a criança de qualquer idade se mantiver irritada, com choro persistente ou muito “largadinha”, mole, apática, com pouca reação, sem querer mamar ou aceitar líquidos;
  • Quando a febre for acompanhada de sintomas persistentes como dor de cabeça, pele vermelha, dificuldade de dobrar o pescoço, vômitos que não cessam, confusão mental, irritabilidade extrema ou sonolência e dificuldade importante para respirar.

O grande medo: a convulsão febril

Ao contrário do que se pensa, não é a febre alta que causa a convulsão febril. O que pode levar a esse quadro é a elevação ou a queda muito rápida da temperatura, que faz com que o termostato não tenha tempo adequado para se adaptar e sofra uma “pane”. Assim, os banhos gelados não devem ser usados para baixar a temperatura da criança.

A convulsão febril costuma acontecer entre os 6 meses e os 6 anos de idade, mas é mais frequente até os 2 anos. Ocorre numa frequência maior em membros de uma mesma família que já tiveram o mesmo quadro quando crianças.

As informações contidas no texto acima são uma referência e não descartam em hipótese alguma o acompanhamento de um pediatra.

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