Publicado em Primeiros Passos em 03/10/2016

Você sabe quando deve procurar um fonoaudiólogo? Conheça os motivos que causam o atraso da fala.

A maioria das crianças começa a balbuciar por volta dos seis meses. As mães acreditam que esses primeiros sons significam que o bebê está chamando por elas, pois soam como “mamã” e “papá”. Entre um e dois anos, acontece um “boom” da aquisição, quando as crianças conseguem se comunicar e expressar bem seus desejos por meio de frases simples. No entanto, nem todas as crianças seguem exatamente esse roteiro. Para algumas, o processo é mais lento e, muitas vezes, não ocorre da mesma forma que para a maioria da população.

De acordo com a especialista Ana Paula Bautzer, fonoaudióloga da Clínica de Especialidades Integrada, o atraso da fala pode estar relacionado a alterações auditivas, problemas neurológicos, visuais, ambientais e até psicológicos. “Para que a criança fale, ela precisa ouvir bem. A deficiência auditiva distorce o som e o bebê pode não ouvir, dificultando o desenvolvimento da fala. Outro fator que contribui muito para esse atraso é o ambiente em que o bebê vive; por exemplo, se os pais fazem tudo pela criança, ela também pode não sentir a necessidade de falar”, explica a fonoaudióloga.

Caso a criança apresente alterações neurológicas e/ou anatômicas, como paralisia cerebral, síndromes genéticas e alterações craniofaciais ou sofra com algum trauma ou mudança emocional, como a chegada inesperada de um irmãozinho e a separação dos pais, pode apresentar alteração no desenvolvimento da fala. “Se os problemas não são diagnosticados e tratados com antecedência, os sintomas podem se estender, causando grandes transtornos para a criança e sua família”, destaca a especialista.

Quando devo me preocupar com a fala do meu filho?

Os pais devem ficar atentos ao desenvolvimento da fala. Caso a criança entre um e dois anos não demonstre ou expresse a sua vontade, ou não pronuncie nenhuma palavra mesmo com troca, é interessante procurar um especialista. “Neste caso, o fonoaudiólogo fará uma avaliação para identificar se existe um atraso e suas causas. Quando um especialista é procurado com antecedência, muitas vezes ele resolve o problema e evita que a criança sofra constrangimentos na sociedade”, ressalta Ana Paula.

Fale, brinque, estimule…

Para estimular a fala, os pais devem manter uma conversa com a criança para que ela assimile os movimentos da boca e note as expressões do rosto. Na fase de desenvolvimento da fala, é fundamental evitar falar em diminutivos para não atrapalhar o seu entendimento.

“As brincadeiras são uma forma de aprendizado. Existem atividades simples que estimulam a fala e linguagem da criança; por exemplo, na hora do banho, nomeie as partes do corpo com perguntas: “Cadê o seu pé?” ou “Cadê a sua barriga?”; ou, quando estiver lavando uma parte do corpo, sempre fale o que está lavando ou ensaboando.

Brincadeiras na hora da alimentação também são bem-vindas. Estimule seu filho com talheres, pratinhos e copinhos lúdicos que chamam a atenção pelas formas diferenciadas e cores, aponte para os acessórios e repita o nome de cada um deles.

“Quanto mais falamos usando verbos de ação e nomeando as coisas, mais fácil fica para a criança entender que cada coisa tem um nome e cada ação também, esses exercícios podem estimular bastante a criança”, aconselha a fonoaudióloga.

O convívio com outras crianças também estimula o desenvolvimento da fala e da linguagem. Por esse motivo, incentive o convívio social de seu filho.

As primeiras palavras

Todos os pais ficam ansiosos para ouvir o filho pronunciar as primeiras palavras, porém algumas crianças demoram um pouco mais. Por isso, vença a ansiedade e estimule o pequeno. A fonoaudióloga Ana Paula dá algumas dicas:

– Observe os movimentos do seu filho e traduza seus gestos e ações em palavras.

– Não interprete a criança rapidamente, cedendo ao seu desejo. Incentive-a falar, porém tome cuidado para não iludi-la sempre, para que esse ação não se torne muito negativa.

– Nomeie os objetos e converse com ela explicando para que servem.

– Evite usar diminutivos na hora da conversa.

– Imite os sons de bichos, barulhos de carros etc. para que a criança possa reproduzir e brincar.

– Se a criança aceitar, leia livros de histórias infantis, contando a história com entusiasmo para chamar atenção do bebê.

aviso-portal