Publicado em Primeiros Passos em 26/04/2017

Falta de interesse pelo alimento pode modificar o progresso cognitivo e afetar negativamente o desenvolvimento e o crescimento natural das crianças.

Nos primeiros anos após o nascimento de seus filhos, é frequente escutar dos pais a reclamação de que eles não comem bem. Geralmente entre um e cinco anos, as crianças começam a demonstrar menos interesse pelo alimento, com frequentes mudanças na preferência e aceitação da comida oferecida.

Conhecidas como “comedores seletivos”, essas crianças apresentam um comportamento de alimentação que pode variar desde evitar determinados grupos de alimentos (como verduras, legumes ou frutas, por exemplo) a pular refeições, ou apenas comer muito pouco. Muitas vezes, a criança prefere somente uma forma de preparo e apresentação da comida ou gasta muito tempo para se alimentar.

Segundo os especialistas, 50% das crianças podem ser identificadas como “comedores seletivos”. Entretanto, para os pais, não é fácil lidar com isso. Cabe ao especialista (nutricionista ou pediatra) tentar identificar tal comportamento. O importante é buscar ajuda de um profissional.

Várias razões levam a criança a ter essa postura diante da comida. Entre elas, estão o atraso de crescimento a partir de um ano, que tem como consequência a diminuição do apetite; uma menor capacidade gástrica, pois crianças pequenas têm estômagos menores; e a troca da dentição, que pode causar desconforto na mastigação.

Porém, influências externas também podem conduzir a um comportamento repulsivo pelos alimentos – os hábitos da própria família fazem grande diferença nas decisões da criança. Além do mais, a hora da refeição acaba sendo usada como uma forma de chamar a atenção, de demonstrar capacidade de decidir por si e de negociação com os pais.

Quando o grau de dificuldade para se alimentar interfere demais em seu desenvolvimento e socialização, é preciso uma intervenção. Por outro ponto de vista, a criança com essas características não necessariamente terá doenças orgânicas, mas carências nutricionais – como falta de ferro, cálcio e vitaminas do complexo B.

O tratamento para esses casos deve contar com orientações nutricionais, psicológicas e comportamentais, tanto para as crianças como para os pais e irmãos. As atitudes divergentes na hora de se alimentar geram dificuldades no relacionamento entre os familiares e podem até alterar a relação do casal. Na sequência, confira algumas dicas para melhorar a relação nutricional e os ânimos à mesa:

  • Não tenha outras distrações durante a refeição, como televisão, e não use truques, como enganar ou subornar;
  • Tenha uma atitude neutra diante das rejeições e do comportamento inapropriado à mesa;
  • Use a criatividade para estimular o apetite (pratos bem coloridos, com comidas enfeitadas);
  • Atenha-se à duração das refeições;
  • Possibilite alimentos adequados a cada idade;
  • Acrescente novos alimentos sistematicamente;
  • Estimule a alimentação independente;
  • Aceite, com moderação, a bagunça com a comida, desde que apropriada a cada idade;
  • Ofereça frutas, verduras e legumes em todas as refeições;
  • Apresente os mesmos alimentos com outras disposições/texturas (cozido, frito, assado etc.);
  • Reduza o preparo das “comidas favoritas”;
  • Faça a criança se sentar à mesa com os outros membros da família;
  • Diminua o volume e a frequência de consumo de leite para as crianças que tomam a bebida em grande quantidade;
  • Reduza o consumo de líquido durante a refeição;
  • Respeite certas fases de pouco apetite e preferências por certos alimentos;
  • Dê pequenas quantidades de comida para não desestimular a criança a comer;
  • Faça uma lista das preferências da criança e, toda semana, adicione dois tipos diferentes de comida com a mesma qualidade e apresentação dos alimentos mais desejados.
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