Publicado em Cuidados com recém nascido em 29/05/2017

Quem está grávida de um menininho ou é mãe de primeira viagem tem uma dúvida comum: a temida fimose. Calma, mamãe! Fimose não é doença. Naturalmente, os bebês do sexo masculino nascem com a pele do prepúcio, uma cobertura da pele que protege o pênis da criança e que fica grudada na glande (cabeça do pênis). A fimose fisiológica costuma se resolver com o passar do tempo, sem necessidade de cirurgias. O próprio organismo se encarrega de descolar a pele. Porém, em casos mais complicados, a fimose impede a higiene, acumula secreções e pode resultar em infecções. Para não ter erro, os papais não devem iniciar tratamentos por conta própria, como massagens e uso de pomadas. Cada caso tem suas particularidades. Portanto, a orientação médica é indispensável no tratamento da fimose.

José Carnevale, urologista do Hospital da Criança da Rede D’Or São Luiz, esclarece que, apesar de os meninos nascerem com uma pele que cobre a glande, não significa que eles têm fimose. “É preciso encarar isso com naturalidade. O problema acontece quando os pais começam a mexer no local, com exercícios, por exemplo, porque acreditam que o filho tem fimose. Isso muitas vezes é feito com o recém-nascido, o que não é recomendado. O ideal é não mexer. Outro erro cometido é utilizar cremes, que só podem ser usados sob recomendação médica depois dos dois anos de idade”, alerta.

José explica ainda que a pele que cobre a glande é externa ao canal urinário, sendo assim, não prejudica a criança na hora de fazer xixi. “Os pais tendem a acreditar que o filho está com infecção. Porém, a infecção está sempre acompanhada da febre. Somente um exame pode detectar se há ou não uma infecção. Na dúvida, procure orientação médica.” A higiene da região da glande é muito importante para evitar infecções. Peça para o pediatra orientar como limpar essa região de maneira adequada.

A fimose propriamente dita, ou patológica, é a situação em que o anel do prepúcio é muito apertado e não permite a exposição da glande, o que provoca dor e impede a higienização adequada. A cirurgia é um dos tratamentos disponíveis para o problema. Há quem opte pela cirurgia da fimose nos primeiros meses de vida ou bem mais tarde, quando o filho já está crescidinho. No entanto, de acordo com o urologista José Carnevale, o ideal é que a cirurgia para tratar a fimose seja feita entre um ano e meio e dois anos de vida. “Recomendo essa faixa etária por fatores psicológicos, pois a criança ainda não entende o que está acontecendo. Quando ela já tem mais de dois anos, começa a ter percepção do que acontece à sua volta, o que pode tornar a missão dos pais de explicar a situação muito mais difícil”, acrescenta.

Fonte: José Carnevale é urologista do Hospital da Criança da Rede D’Or São Luiz.