Publicado em Cuidados com o Bebê em 02/05/2017

O exame rotineiro dos olhos no consultório do médico oftalmologista é muito importante para a preservação de uma boa visão, e isso deve ocorrer em todas as idades. Diagnósticos precoces de doenças oculares podem ser feitos ainda na gestação, podendo assim evitar futuros problemas de visão e até mesmo a cegueira.

A futura mãe, durante a gravidez, deve procurar seguir corretamente os exames do pré-natal, na pesquisa de possíveis doenças como a rubéola e a toxoplasmose, entre outras que, se não diagnosticadas e tratadas neste período, podem causar sérios problemas visuais na criança.

Após o nascimento, apesar do acompanhamento com o pediatra, muitas doenças oculares da infância podem passar despercebidas. Assim, devemos estar atentos a sintomas oculares, como diferenças de cor nos olhos do bebê, secreção, persistência de lacrimejamento constante após dois anos de idade ou qualquer outro sinal que pareça estranho. Assim, mesmo que aparentemente os olhos estejam normais, o oftalmologista deve ser consultado para uma boa visualização do fundo de olho e suas demais porções.

O primeiro exame nos olhos da criança é realizado assim que ela nasce. É o chamado teste do olhinho. São observados os reflexos da luz e a cor da pupila (que deve ser preta). Ou seja, ao acender a luz em um olho, a pupila fecha e o outro olho deve reagir também. Os prematuros, por exemplo, especialmente aqueles que nascem com menos de 1,5 kg e vão para o oxigênio, precisam de observação constante do oftalmologista até 90 dias após a alta do hospital, para avaliar se não há nenhuma alteração da retina.

Os recém-nascidos observam tudo ao seu redor, no entanto, de forma muito pouco clara. Nas duas primeiras semanas de vida, sua capacidade visual limita-se a uma visão de claro e escuro. O desenvolvimento da visão de uma criança realiza-se de forma muito rápida no primeiro ano de vida; o desenvolvimento rigoroso da acuidade visual ocorre durante todo o período pré-escolar.

A total visão do bebê e das crianças pequenas se desenvolve apenas com o tempo, por meio de um exercício constante. Até os três anos, o cérebro ainda não está totalmente desenvolvido, de modo que o desenvolvimento da visão ainda é flexível, mas dos 5 aos 7 anos de idade este desenvolvimento termina.

Os defeitos dos olhos e da visão, que até essa altura não haviam sido detectados, ficam mais difíceis de corrigir e o tratamento é frequentemente mais dispendioso do que em bebês ou em crianças menores.

O primeiro exame oftalmológico

Os primeiros exames devem ser realizados quando a criança tem uma idade de aproximadamente dois anos, caso não se tenha anteriormente verificado quaisquer outros indícios. Um diagnóstico precoce de doenças ou defeitos de visão efetuado por um oftalmologista poderá evitar deficiências por toda a vida.

Existe uma propensão especial para o desenvolvimento de deficiências visuais e estrabismo no caso de bebês prematuros, crianças cujos pais ou irmãos veem muito mal ou são estrábicos, crianças com atrasos de desenvolvimento e, naturalmente, crianças provenientes de famílias com doenças hereditárias nos olhos. Nestes casos, um exame oftalmológico deverá ser realizado obrigatoriamente antes do segundo ano de idade, precisamente entre os seis e os doze meses.

Existem vários testes de visão que podem ser aplicados tanto em bebês quanto em crianças pequenas. O importante é que os pais não adiem a visita da criança ao oftalmologista e que não deixem de repeti-la anualmente, pois uma criança que em idade pré-escolar tenha sido considerada por um oftalmologista como vendo bem pode desenvolver posteriormente erros de refração, como miopia, hipermetropia e astigmatismo, que necessitam de uma correção.

Os pais, em colaboração com os professores, devem estar sempre atentos durante o período em que as crianças aprendem a ler e a escrever. As dificuldades de aprendizagem não significam necessariamente que uma criança tenha deficiências de aprendizagem, mas podem constituir também um indício de que a criança simplesmente enxerga mal.

Nessa idade, dificilmente os pais ou a própria criança percebem possíveis déficits visuais e a falta de correção nesse período pode levar a uma baixa visão de forma permanente: a ambliopia. Assim, o exame de vista para todas as crianças dessa idade torna-se de extrema importância, porque o médico vai avaliar a necessidade do uso de óculos, as possíveis alterações na movimentação e posição dos olhos (os chamados estrabismos) ou quaisquer outras causas que possam causar a ambliopia, tratando-a corretamente e em tempo certo.

Já na puberdade, é essencial a visita anual ao consultório para a conferência de possíveis mudanças no grau dos óculos e realização de exames mais específicos, como a topografia computadorizada, que, além de avaliar todo o relevo da córnea, detecta doenças como o ceratocone, no qual uma alteração da curvatura causa grande prejuízo à visão. Além do mais, a topografia auxilia o oftalmologista na perfeita adaptação das lentes de contato, que visam melhorar a vida social dos pacientes pelo fator estético e ainda permitem que esses jovens possam praticar esportes.

A tonometria avalia a pressão dos olhos (que é diferente da pressão do sangue), que, se aumentada e não controlada, pode causar o glaucoma, uma doença que não tem sintomas.

Assim, somente com o exame oftalmológico rotineiro, independentemente de idade ou presença de sintomas, poderemos preservar da maneira mais saudável nossa tão valiosa visão por toda a vida.

Alterações oculares mais frequentes

Estrabismo: um olho fica alinhado e o outro desviado, prejudicando a visão em terceira dimensão;

Erros de refração: há alteração no grau dos olhos; um pode ser normal e o outro, míope, por exemplo;

Ambliopia ou olho preguiçoso: anatomicamente, os olhos são normais, porém um deles não se desenvolveu corretamente. As causas mais frequentes seriam os erros de refração e o estrabismo, que prejudicam a chegada da imagem nítida ao cérebro.

Invista em bons óculos de sol para seus filhos

Modelos infantis de óculos de sol estão cada vez mais acessíveis e são uma boa pedida, principalmente para quem gosta de dar presentes “conscientes”. Infelizmente, 90% dos brasileiros não se preocupam em proteger a visão de seus filhos. A maioria dos pais ainda não tem o hábito de proteger os olhos das crianças durante passeios em parques, praias e clubes, o que aumenta os riscos de sofrerem de catarata e degeneração macular quando adultas.

Em épocas de festas e férias, o risco de cair em tentação e comprar óculos de sol de vendedores ambulantes é muito grande. Aparentemente iguais aos modelos originais, os óculos “genéricos” são bem mais baratos, mas escondem o grande mal que podem causar à visão. O desconhecimento sobre os riscos que os raios solares representam à saúde dos olhos é muito grande. O mais preocupante é a falta de critérios na utilização de óculos escuros.

A moda, agora, são os óculos grandes e coloridos. Tanto em shoppings quanto em bancas de camelôs, as pessoas são tentadas a comprar óculos de todas as cores e tamanhos. Tem gente que compra um de cada cor, para combinar com a roupa. Se esses óculos oferecerem 100% de proteção contra os raios ultravioleta (UV), a saúde dos olhos estará garantida, independentemente da cor das lentes. Qualquer nível de proteção abaixo disso, de nada vai adiantar. Além de queimaduras de retina e córnea, em longo prazo essa pessoa poderá sofrer de catarata ou outra doença degenerativa da visão.

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