Publicado em Cuidados com o Bebê em 03/10/2016

Não são só os pais de primeira viagem que ficam com receio de deixar o bebê passar uma noite inteira dormindo no berço. Apesar de ser o local mais apropriado para uma noite de sono tranquila tanto para o bebê como para os pais, o pequeno corre o risco de se mexer muito à noite e bater a cabecinha ou cair do berço, o que gera uma série de complicações, especialmente se o bebê for recém-nascido.

Segundo o neurocirurgião Mauricio Mandel (CRM 116095), formado pela USP e membro da Sociedade Brasileira de Neurocirurgia (SBN), qualquer queda ou galo na cabeça do bebê é motivo de pânico para muitos pais e na maioria das vezes deve ser levado a sério. “Se o bebê leva um tombo grande do sofá, da cama, do trocador, da banheira ou do berço, por exemplo, ele deve ser examinado por um médico com muita atenção para verificar se há ou não alguma lesão séria”, explica.

É importante fazer um exame detalhado para analisar se com a queda o bebê teve ossos quebrados ou lesões internas. “As quedas podem ser muito graves em bebês, mas a boa notícia é que, assim como os ossos são mais flexíveis, a cabeça do bebê também é mais resistente, o que diminui as chances de traumatismo”, afirma o neurocirurgião.

Se o seu bebê caiu, não chorou e parece estar bem, provavelmente a queda não provocou consequências graves. Mas é importante ficar atenta ao seu bebê pelo menos durante as 24 horas seguintes para verificar alguma anormalidade, especialmente se ele bateu a cabeça. Os pais precisam estar atentos à intensidade da queda e da pancada, porém, o local onde ela ocorreu também deve ser considerado. “A região da moleira é uma das áreas mais sensíveis do bebê; qualquer pancada atrás das orelhas e na lateral da cabeça precisa ser diagnosticada, pois é ali que as artérias podem se romper e criar hematomas”, revela Mandel. Se houver choque nessa região, observe se a moleira incha ou afunda.

Após a queda, pode dormir ou não?

Uma preocupação que aflige muitos pais é se a criança pode dormir ou não depois de uma pancada. Mandel revela que se a criança dorme logo após a queda, pode ser mais difícil identificar os sintomas caso tenha ocorrido uma lesão grave. “Depois de todo o estresse e choradeira da queda, o seu filho pode ficar cansado e querer dormir. Deixe que ele descanse pelo menos durante uma hora e acorde-o para verificar se está tudo bem”, recomenda.

Mas fique atento ao sono do seu bebê. O que não pode ocorrer é um sono muito profundo por mais de três horas seguidas, em que a criança não acorda logo que você chama ou para mamar.

Conversar é a melhor maneira de prevenir

Se o seu pequeno já sabe se comunicar, após uma queda ou pancada pergunte se ele está tonto, enjoado, onde dói e se está com sono. Caso você não esteja perto na hora do acidente, pergunte para quem viu: o que ele estava fazendo quando caiu, de que altura e de onde caiu, qual parte da cabeça bateu. Agora, se o seu filho ainda é bebê, tome precauções. “Se o seu bebê ainda dorme no berço, vá regulando-o conforme seu filho começar a ficar em pé ou se apoiar. O ideal é colocar a grade acima da linha dos mamilos, para evitar quedas, e retirar do berço tudo que pode servir de apoio”, aconselha o neurocirurgião.

Se ele já está grandinho, é importante que durma em uma cama adequada e que não divida a cama com os pais. Uma pesquisa da London School of Hygiene and Tropical Medicine apontou que bebês que dormem com os pais têm risco maior de sofrer a síndrome da morte súbita, que é uma das principais causas de morte de bebês com menos de um ano em países desenvolvidos. O estudo analisou dados de mais de seis mil crianças e concluiu que bebês de até três meses estão no principal grupo de risco.

Quando procurar um pronto-socorro?

O neurocirurgião Mauricio Mandel explica em quais situações você deve levar o seu filho com urgência a um pronto-socorro para um atendimento médico. Veja quais são elas:

  • Quando houver sinais de fratura, braços ou pernas desalinhados, pulso torto, dor quando o bebê apoia o braço no chão ou faz algum movimento;
  • Se o bebê estiver respirando, mas não reage quando você fala com ele, ou se você não conseguir acordá-lo;
  • Se o pequeno estiver sangrando e você não conseguir estancar o ferimento;
  • Se o bebê desmaiar após a queda ou pancada;
  • Se ele continuar chorando e reclamando de dor após uma hora do tombo;
  • Se o bebê tiver um corte que pareça profundo.

 

Fonte: Mauricio Mandel (CRM 116095), neurocirurgião formado pela USP e membro da Sociedade Brasileira de Neurocirurgia (SBN)

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