Publicado em Bebê Cuidados com o Bebê em 03/10/2016

Nem toda dor é motivo de preocupação, principalmente quando o seu filho fica se queixando de que está com dor só para não ir à escola. Apesar de nenhuma mãe aguentar ver o filho sofrer, é importante saber identificar quando é a hora de procurar um médico para descobrir a origem desse desconforto.

Alguns incômodos podem fazer parte do processo do desenvolvimento infantil, que não tem um gatilho específico. Outras queixas podem ser só para chamar a atenção dos pais.
Se o seu filho acordou choroso e reclamando de dor em alguma parte do corpo, observe se essa dor é passageira ou não.

“Os pais precisam observar a intensidade e a duração da dor. Se a criança não dorme bem, acorda no meio da noite devido ao mal-estar, não se alimenta e tem dificuldade de brincar e se movimentar, é hora de consultar um médico”, explica Mauricio Mandel, neurocirurgião formado pela USP e membro da Sociedade Brasileira de Neurocirurgia (SBN).

Segundo o neurocirurgião, as dores podem ser agudas ou crônicas. “As agudas vão e voltam durante o dia e não duram mais do que algumas semanas. Ao sofrer uma fratura, a criança provavelmente irá reclamar de dor, mas quando esse problema é tratado, a dor tende a desaparecer. Já as dores crônicas precisam ser tratadas e costumam durar pelo menos três meses”, afirma.
Em todos os casos, é necessário consultar um médico antes de tomar qualquer medicação, para não atrasar ou atrapalhar o diagnóstico e iniciar logo o tratamento.

O meu filho ainda é bebê. Como vou saber se ele está com dor?
Os bebês se comunicam por meio do comportamento e da expressão facial. Quando o bebê chora muito, movimenta braços e pernas, fica irritado sem motivo e com os olhos semicerrados, são indícios de que ele pode estar com dor. Outro sinal é deixar de movimentar o membro que está dolorido.
Para esclarecer as causas da dor, o neurocirurgião Mauricio Mandel revela quais são as dores que merecem atenção:

1. Dor de cabeça

A dor de cabeça pode estar associada à gripe; se tiver episódios de febre e vômitos, há suspeita de meningite. Caso a dor ultrapasse duas horas pode-se considerar sinusite ou, na pior das hipóteses, enxaqueca. “Aproximadamente 7,9% das crianças sofrem com a enxaqueca, segundo estudos feitos pela Universidade de São Paulo e pela Faculdade de Medicina de Rio Preto, além de universidades estrangeiras, como o Albert Einstein College of Medicine e a Universidade de Roma. Geralmente a dor é somente em um lado da cabeça e está associada à sensibilidade à luz e ao barulho, náusea e vômito”, esclarece Mandel.
Se o seu filho reclamar que está com dor de cabeça, não ignore e busque ajuda médica.

2. Dores nas costas

O peso das mochilas escolares pode ser responsável pela dor nas costas na infância. “Não é à toa que sempre alertamos os pais sobre os perigos de uma mochila muito pesada. A criança pode sofrer com fadiga muscular, postura incorreta e, indiretamente, ter desvios na coluna vertebral, como escoliose, lordose e cifose”, alerta o Dr. Mauricio.
O modelo de mochila mais apropriado para as crianças é o de rodinhas, uma vez que o peso se encontra no chão e não na coluna.

3. Dores nas pernas

Sentir dor nas pernas é muito comum em crianças de 4 a 10 anos devido ao crescimento, que provoca uma distensão na membrana que envolve o osso. “Se o seu filho reclamar de dor nas coxas ou panturrilha acompanhada de manchas vermelhas e inchaço, é preciso que seja feito um diagnóstico para identificar a origem desse desconforto”, sugere o especialista.

4. Fibromialgia juvenil

Dor nos ombros, nos braços, nas costas, nas pernas, na cabeça, nos pés. O que pode ser? A dor nos membros é o principal sintoma da fibromialgia. “A fibromialgia pode surgir ainda na infância e, caso não seja diagnosticada, tende a piorar na fase adulta”, diz o neurocirurgião.
A queixa de dores musculoesqueléticas pode acometer crianças que estão em idade escolar.
O tratamento da fibromialgia juvenil é feito por meio de atividades aeróbicas de baixo impacto, como natação e caminhada. “Fazer exercícios aumenta a produção de endorfina, um neurotransmissor que tem finalidade de anestésico natural, sendo responsável por reduzir a sensação de dor”, destaca o médico.

5. Escoliose

As crianças também podem apresentar problemas de coluna. Se identificar alterações na postura do seu filho no primeiro ano de vida, procure um médico. “Se o seu filho tem um ombro mais elevado do que o outro, ele pode ter escoliose. Caso o tronco seja projetado para a frente, pode ser cifose, e o tronco indicado para trás é sinal de lordose. Na maioria das vezes é possível enxergar esse tipo de alteração na coluna”, relata o neurocirurgião.

O tratamento vai depender de cada caso; quando a deformidade é grave, pode ser necessário recorrer a uma cirurgia.

Fonte: Mauricio Mandel (CRM 116095), neurocirurgião formado pela USP e membro da Sociedade Brasileira de Neurocirurgia (SBN).

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